A corrida pela IA soberana tem Goiânia como palco central

Brasil busca ampliar sua participação na criação de tecnologias próprias com o Centro de Competência Embrapii em Goiânia.

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CEIA, AKCIT, ia soberana

CEIA, AKCIT, ia soberana

Brasil avança na criação de tecnologias próprias

O Brasil está passando por uma transformação no cenário tecnológico global, buscando aumentar sua participação na inovação. Em Goiânia, o Centro de Competência Embrapii em Tecnologias Imersivas Aplicadas a Mundos Virtuais (AKCIT), vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG), é um exemplo desse movimento, desenvolvido em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA).

Com um investimento total de R$ 74 milhões, sendo R$ 14 milhões para infraestrutura e R$ 60 milhões para projetos de desenvolvimento, o AKCIT se destaca como uma das maiores iniciativas de inteligência artificial aplicada na América Latina. O objetivo é transformar a ciência em soluções de mercado, mantendo a autonomia tecnológica do Brasil.

Desafios e formação de empreendedores

De acordo com o professor Anderson Soares, doutor em Engenharia Eletrônica e Computação, o principal desafio reside na desconexão entre universidades e indústrias. A pesquisa acadêmica demanda tempo e financiamento, enquanto o setor empresarial opera em ciclos curtos. O AKCIT também se dedica à formação de empreendedores e equipes capacitadas para lidar com soluções complexas.

A infraestrutura do centro é um diferencial, com a aquisição de seis supercomputadores Nvidia DGX-B200, que oferecem desempenho superior e formam a primeira estrutura desse tipo na América Latina. Essa base tecnológica inclui laboratórios imersivos e plataformas robóticas, com um investimento significativo em equipamentos.

Impactos na economia e na formação profissional

Os resultados da pesquisa acadêmica já são visíveis na criação de empresas, como a Cília Tecnologia, que desenvolveu um sistema de inteligência artificial para análise de sinistros automotivos, reduzindo o tempo de processamento. A retenção de tecnologia no Brasil gera empregos e conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento econômico.

A startup Synkar, que trabalha com veículos autônomos para logística urbana, é outro exemplo do impacto positivo do AKCIT. O centro já capacitou mais de 2,3 mil pessoas em 37 cursos, investindo em formação profissional e conectando pesquisa científica ao empreendedorismo.

Internacionalização e soberania tecnológica

Arlindo Galvão, coordenador-geral do AKCIT, destaca que a internacionalização foi parte do planejamento desde o início. O centro possui acordos com instituições de mais de dez países e colaborações com empresas como Google e Nvidia. A soberania em inteligência artificial, segundo Galvão, não implica isolamento, mas sim a capacidade de desenvolver soluções que atendam aos desafios brasileiros.

Parte da estratégia do AKCIT é atrair pesquisadores brasileiros do exterior, oferecendo infraestrutura de padrão internacional para consolidar um ciclo contínuo de inovação no país.

Fonte por: It Forum

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