Banco Central aperta regras e classifica cibersegurança como risco econômico no sistema financeiro

Banco Central aperta regras e exige testes para fortalecer governança e controles no Pix/RSFN no setor financeiro.

5 min de leitura
Imagem holográfica do Banco Central do Brasil em cenário futurista de cibersegurança financeira, destacando as regras de cibersegurança do Banco Central.

Imagem holográfica do Banco Central do Brasil em cenário futurista de cibersegurança financeira, destacando as regras de cibersegurança do Banco Central.

Novas exigências do Banco Central e a segurança digital no Sistema Financeiro Nacional

O Banco Central está implementando um rigoroso marco de segurança digital para as instituições do Sistema Financeiro Nacional. Essa mudança eleva a necessidade de comprovação técnica, reforça os controles em infraestruturas relacionadas ao Pix e amplia a cobrança por governança e rastreabilidade. Essa nova abordagem indica que a maturidade tecnológica agora influencia a avaliação de riscos, impactando diretamente auditorias, respostas a incidentes e supervisão.

Transição para um padrão de comprovação técnica

Os analistas do setor destacam que a nova fase regulatória representa uma transição significativa: o modelo que se baseava em políticas e documentos está sendo substituído por um que exige comprovações técnicas constantes. Isso significa que o mercado deve operar sob a lógica de que as regras de cibersegurança do Banco Central não se limitam à conformidade formal, mas exigem uma capacidade operacional demonstrável, com registros e trilhas de auditoria que sustentem a fiscalização e a melhoria contínua.

Uma das exigências mais notáveis é a realização de testes de intrusão anuais por profissionais independentes, com documentação e planos de ação mantidos por cinco anos. Essa obrigação reduz a margem para controles meramente “declaratórios”, forçando as instituições a identificar vulnerabilidades, priorizar correções e manter um histórico auditável do processo de remediação.

Requisitos mais rigorosos para o Pix e a RSFN

Outra área de mudança é a comunicação eletrônica com a RSFN, especialmente em relação ao Pix e ao Sistema de Transferência de Reservas. O novo regulamento enfatiza a necessidade de requisitos técnicos e segregação de ambientes. Medidas como autenticação multifatorial e restrições para minimizar superfícies de ataque relacionadas a credenciais e ativos sensíveis são destacadas, incluindo a proibição de acesso de terceiros a chaves privadas em certas situações.

Para os executivos de TI e risco, a mensagem é clara: integrações, identidade, certificados e controles de acesso não são mais detalhes de arquitetura, mas sim elementos críticos para a gestão do risco operacional. Em ecossistemas interdependentes, falhas em um elo podem comprometer a continuidade e a confiança no sistema financeiro como um todo, o que justifica a importância das regras de cibersegurança do Banco Central para a estabilidade do setor.

Responsabilidade e interdependência na terceirização

As novas exigências também ampliam a atenção para softwares e serviços de terceiros, reforçando a ideia de que o risco é estruturalmente interconectado. A terceirização de operações não diminui a responsabilidade das instituições supervisionadas; pelo contrário, aumenta a necessidade de diligência e monitoramento das dependências críticas.

Esse aspecto está ligado ao endurecimento das regras para provedores de tecnologia no ecossistema financeiro, como os PSTIs. O resultado prático é uma pressão sobre contratos, SLAs, direitos de auditoria e gestão de subcontratações, tornando a “cadeia de fornecedores” um assunto relevante para os conselhos, e não apenas para as áreas de compras ou operações.

Gestão de riscos e transparência na comunicação

A mudança regulatória também traz uma nova cultura: os incidentes são avaliados não apenas pelo evento em si, mas pela gestão, registro e comunicação do ocorrido. A divulgação pública de incidentes, como a exposição de chaves Pix, reforça um padrão de transparência que altera os incentivos internos, desde a equipe técnica até a alta liderança, em relação à prontidão e governança.

Nesse contexto, a gestão de riscos cibernéticos ganha destaque, com métricas executivas que incluem backlog de vulnerabilidades, prazos de correção e relatórios para comitês. A falta de um ciclo de remediação pode transformar riscos hipotéticos em riscos operacionais, aumentando a probabilidade de interrupções e expondo a organização a consequências supervisoras e danos à reputação.

Impacto econômico e a resiliência digital

A consequência mais ampla das novas regras é a “economia da resiliência digital”, onde a maturidade dos controles influencia a percepção de robustez institucional. Isso afeta a confiança e a capacidade de escalar produtos digitais. Ao elevar o padrão mínimo e exigir comprovações periódicas, o regulador reposiciona a cibersegurança como uma condição essencial para a continuidade das operações, alinhando-se a tendências internacionais de supervisão no setor financeiro.

Para bancos e fintechs, a interpretação é clara: as regras de cibersegurança do Banco Central podem aumentar os custos de conformidade no curto prazo, mas também podem atuar como um filtro competitivo. Organizações com governança sólida e evidências consistentes tendem a enfrentar menos fricções com a supervisão, enquanto aquelas com baixa disciplina e dependência excessiva de terceiros podem enfrentar maior volatilidade reputacional.

Prazo de adequação e a execução das novas regras

Com o prazo de adequação se aproximando de 1º de março de 2026, o tema deixa de ser um “plano” e se torna uma “execução”. O mercado começará a observar quem internalizou as regras de cibersegurança do Banco Central como parte do modelo operacional e quem ainda vê a agenda como uma obrigação periférica. A distinção agora será feita não apenas pela intenção, mas pela capacidade de demonstrar, com evidências, que os controles estão operando sob escrutínio.

Fonte por: Its Show

Sair da versão mobile