Brasil corre risco de perder liderança em IA na América Latina devido a problemas de infraestrutura e regulação

Brasil pode ficar para trás na infraestrutura de inteligência artificial na América Latina sem reformas regulatórias e fiscais, alertam executivos.

19/03/2026 13:00

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Painei The keynotes of AI do Capacity LATAM 2026 (Imagem: divulg...

Brasil e a Corrida por Infraestrutura de Inteligência Artificial

O Brasil enfrenta o risco de perder competitividade na infraestrutura de inteligência artificial na América Latina se não implementar mudanças regulatórias e fiscais. Essa análise foi apresentada por executivos durante o evento Capacity LATAM 2026, que abordou a expansão dos data centers na região.

O foco do debate foi menos sobre a evolução tecnológica e mais sobre a capacidade dos países em atender à crescente demanda por processamento de dados. Em um cenário de rápida expansão da inteligência artificial, os principais desafios são de natureza física e regulatória.

Expansão dos Data Centers na América Latina

A América Latina se tornou um ponto de interesse para investimentos em infraestrutura digital, impulsionada pela demanda por inteligência artificial, serviços em nuvem e processamento em tempo real. Cidades como Rio de Janeiro, Campinas, Santiago e Querétaro estão se destacando como locais potenciais para novos projetos de grande porte, especialmente data centers com alta densidade energética.

Um exemplo notável é um projeto em Campinas, que prevê uma área de 1 milhão de metros quadrados e uma capacidade inicial de 300 MW, com potencial de expansão para até 1 GW. Esse projeto posiciona o Brasil na disputa por investimentos globais, mas também revela a complexidade envolvida na viabilização dessas iniciativas.

Desafios Regulatórios e de Energia

A disponibilidade de energia, especialmente de fontes renováveis, é considerada uma vantagem competitiva do Brasil na atração de data centers. Contudo, executivos alertam que essa vantagem não é suficiente para garantir a realização dos projetos, uma vez que o ambiente regulatório e o tempo de aprovação de licenças ainda representam obstáculos significativos.

O atraso na renovação do Reidi, que reduz a carga tributária para projetos de infraestrutura, foi destacado como um ponto crítico para investidores. Sem previsibilidade em relação a incentivos e custos, muitos projetos podem ser redirecionados para mercados vizinhos, onde os processos são mais ágeis.

Pressão por Agilidade nos Investimentos

A rapidez na execução dos projetos se tornou um fator crucial na decisão de investimento. Durante o painel, foi mencionado o exemplo do México, onde um data center foi concluído em cerca de dez meses, contrastando com os prazos mais longos enfrentados no Brasil devido a etapas regulatórias e burocráticas.

Elena Winters, vice-presidente de negócios internacionais da Elea Data Centers, enfatizou que o desenvolvimento de projetos de inteligência artificial requer coordenação em diversas frentes. Ela destacou a importância de manter a competitividade, citando incentivos fiscais de longo prazo aprovados recentemente na Índia como um modelo a ser seguido.

Preocupações com a Capacidade Futura

A combinação do aumento da demanda com limitações estruturais levanta preocupações sobre a capacidade da região em atender às necessidades futuras. Ivo Ivanov, CEO global da DE-CIX, ressaltou que a infraestrutura local será fundamental para sustentar a próxima fase da inteligência artificial, enfatizando a necessidade de processar dados brasileiros localmente.

Sem as devidas adaptações, o Brasil pode ver sua vantagem competitiva, baseada em energia e mercado, ser comprometida pela dificuldade de execução dos projetos.

Oportunidades e Desafios para o Futuro

O Capacity LATAM 2026 mostrou que o Brasil continua sendo um dos principais candidatos a liderar a infraestrutura de inteligência artificial na América Latina. No entanto, essa posição depende mais da capacidade de implementação do que do potencial disponível.

A disputa por investimentos já está em andamento, e a velocidade de resposta dos países será determinante para definir onde ocorrerão os próximos ciclos de expansão da infraestrutura digital.

Fonte por: It Forum

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