Brasil ocupa a 58ª posição no ranking global de inteligência artificial

Relatório da Microsoft revela escassez de centros de excelência tecnológica e falta de especialistas no país.

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(Imagem de reprodução da internet).

Relatório da Microsoft Research sobre a Difusão da Inteligência Artificial

Um novo relatório da Microsoft Research revela que a adoção da inteligência artificial (IA) está avançando rapidamente, mas de maneira desigual entre diferentes regiões, setores e grupos sociais. A pesquisa aponta que a tecnologia já superou a fase de experimentação em mercados desenvolvidos e começa a se expandir em economias emergentes, embora ainda enfrente desafios significativos relacionados à infraestrutura, recursos e políticas públicas.

Desigualdade na Adoção da IA

O documento descreve a difusão da IA como um processo “em ondas”, onde países com maior maturidade tecnológica são os primeiros a absorver e colher os benefícios econômicos e de produtividade. Em contrapartida, regiões de menor renda enfrentam um crescente hiato, o que pode impactar negativamente as cadeias produtivas globais, a competitividade e os padrões de emprego.

Os dados indicam que a adoção de IA no Norte Global cresceu quase duas vezes mais rápido do que no Sul Global. Atualmente, 24,7% da população em idade ativa no Norte utiliza essas ferramentas, enquanto no Sul esse número é de apenas 14,1%.

Posição do Brasil no Cenário Global

O Brasil ocupa a 58ª posição no ranking de adoção de IA, com um índice de 17%. O relatório classifica o país como em transição entre uma adoção intermediária e uma difusão mais ampla, refletindo características comuns da América Latina. As economias da região enfrentam barreiras como a falta de infraestrutura digital, a necessidade de qualificação profissional e a escassez de capital de risco, fatores que dificultam a incorporação da IA nos processos empresariais.

Desafios e Oportunidades para o Brasil

Embora o Brasil tenha ampliado o uso corporativo de IA nos últimos trimestres, a velocidade de adoção depende da maturidade do ecossistema de dados e dos investimentos em servidores e nuvens regionais, essenciais para reduzir custos e democratizar o acesso. Entre os principais desafios estão a baixa densidade de centros de excelência tecnológica, a dependência de hardware importado e a falta de especialistas na área.

O setor público brasileiro se destaca como um motor emergente na adoção de IA, impulsionando o uso da tecnologia em serviços, regulação e compras governamentais.

Impactos e Conclusões do Relatório

O relatório estima que os países que liderarem a difusão da IA poderão capturar ganhos significativos no PIB na próxima década, enquanto aqueles que atrasarem sua adoção podem enfrentar perdas na competitividade internacional. Além dos impactos produtivos, a pesquisa alerta para os riscos de exclusão digital e concentração de poder tecnológico.

A América Latina, incluindo o Brasil, é considerada vulnerável a uma “dupla dependência”: tecnológica, pela importação de sistemas e infraestrutura, e econômica, pela transferência de cadeias de valor para regiões mais automatizadas.

Entre as principais conclusões, o relatório enfatiza que políticas públicas eficazes podem acelerar a difusão da IA, especialmente em países de renda média. Governos que priorizam a digitalização, estabelecem regulações claras e promovem compras públicas tendem a fortalecer os mercados locais e aumentar a confiança entre empresas e consumidores.

No contexto brasileiro, o relatório sugere que programas de capacitação tecnológica, investimentos em data centers, expansão da infraestrutura de telecomunicações e incentivos à pesquisa aplicada são fundamentais para evitar uma difusão lenta da IA. A pesquisa conclui que a IA já está em uma fase de difusão global inevitável, mas não necessariamente inclusiva, e que países que conseguirem alinhar infraestrutura, qualificação e governança estarão melhor posicionados para aproveitar os ganhos econômicos.

Fonte por: Convergencia Digital

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