Brasil se junta à WAICO e fortalece sua influência na governança global da inteligência artificial

Brasil terá participação em governança e cooperação tecnológica
O Brasil se uniu a uma nova iniciativa internacional voltada para a definição de políticas e mecanismos de cooperação em inteligência artificial. Em 16 de julho, representantes de 29 países assinaram, em Xangai, na China, o acordo que cria a Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial, conhecida como WAICO.
Com a criação da WAICO, o Brasil assume um papel ativo nas discussões sobre a governança global da inteligência artificial, visando a redução das desigualdades tecnológicas e o desenvolvimento de sistemas seguros, éticos e centrados nas pessoas. A sede da organização será em Xangai, funcionando como um organismo intergovernamental independente.
O acordo foi assinado por países como Brasil, China, Rússia, Indonésia, Paquistão, Cazaquistão, Cuba, Venezuela, Belarus e Sérvia, além de incluir dez nações africanas e doze asiáticas, refletindo a forte participação de mercados emergentes do Sul Global.
A proposta da China para a criação da WAICO foi apresentada na edição anterior da Conferência Mundial de Inteligência Artificial. Até a assinatura em Xangai, nenhum governo havia formalizado sua adesão à organização.
Atuação brasileira na WAICO
A participação do Brasil na WAICO abrangerá a coordenação de estratégias nacionais, formação profissional, intercâmbio científico e compartilhamento de boas práticas. O objetivo é conectar países com demandas tecnológicas a governos e instituições que possam oferecer conhecimento e infraestrutura.
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O governo brasileiro também enfatizou o incentivo a projetos de inteligência artificial de código aberto, permitindo que diversas instituições analisem e aprimorem sistemas, diminuindo a dependência de grandes fornecedores internacionais. A estrutura da WAICO poderá apoiar programas de capacitação técnica e facilitar a troca de experiências sobre regulamentação e segurança.
Entretanto, a participação do Brasil no acordo internacional de inteligência artificial deverá seguir os procedimentos internos do país, incluindo a ratificação do documento constitutivo, que é essencial para definir compromissos e a representação nacional na entidade.
WAICO e a disputa pela definição das regras da IA
A criação da WAICO ocorre em um contexto de competição entre países que buscam influenciar os padrões internacionais de inteligência artificial. Atualmente, o desenvolvimento de modelos avançados e tecnologias relacionadas está concentrado em empresas dos Estados Unidos e da China.
Ao reunir principalmente economias emergentes, a WAICO se propõe a oferecer uma alternativa aos fóruns dominados por instituições ocidentais, como a OCDE e o G7. A China defende que os benefícios da tecnologia devem ser acessíveis a mais países e não apenas a aqueles com ampla capacidade computacional.
O acordo fortalece a influência da China na definição de padrões técnicos e políticos, ao mesmo tempo que cria um canal de diálogo para o Brasil com nações que enfrentam desafios semelhantes em infraestrutura e formação de profissionais. A WAICO poderá impactar normas de segurança, auditoria e transparência algorítmica, além de criar oportunidades para projetos multilaterais e desenvolvimento conjunto de ferramentas abertas.
A participação do Brasil na WAICO amplia sua presença nas discussões sobre regulação da inteligência artificial e distribuição dos benefícios econômicos da automação. O sucesso da organização dependerá da transformação dos compromissos diplomáticos em ações concretas que atendam às diversas realidades de seus membros.
Fonte por: Its Show
Autor(a):
Redação
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