Carolina Horta Andrade: Da Curiosidade Infantil à Liderança Científica
Em Formosa, Goiás, uma menina apresentou um coração de boi e uma bomba improvisada na feira de ciências da escola, despertando sua curiosidade. Décadas depois, essa mesma curiosidade a levou a liderar um laboratório na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde utiliza inteligência artificial para simular o comportamento de moléculas no corpo humano e desenvolver novos medicamentos.
Carolina Horta Andrade, filha caçula de uma família de cinco mulheres, cresceu em um ambiente que valorizava a educação. Desde cedo, foi incentivada por seus pais a estudar e explorar o mundo ao seu redor, o que a levou a se tornar uma das cientistas brasileiras que utilizam tecnologia avançada na pesquisa farmacêutica.
Escolhas Acadêmicas e Desafios Iniciais
No terceiro ano do ensino médio, Carolina decidiu que queria cursar farmácia, atraída pela diversidade do campo que abrange química, saúde e biologia. Após ser aprovada na Universidade Federal de Goiás, ela se destacou na graduação, mas não se identificou com as áreas tradicionais do curso.
O que realmente a fascinou foi a iniciação científica em Química Farmacêutica e Medicinal, onde aprendeu sobre a interação de moléculas com o organismo. Uma visita a uma defesa de doutorado na USP a inspirou a seguir a carreira científica, levando-a a se mudar para São Paulo e enfrentar desafios, como a reprovação em sua primeira tentativa de mestrado.
Construindo um Laboratório e Pesquisas Inovadoras
Após defender seu doutorado em 2009, Carolina retornou ao Brasil e ingressou na UFG, onde fundou o LabMol, um laboratório dedicado ao planejamento de fármacos. Sua pesquisa inicial focou em doenças tropicais negligenciadas, utilizando inteligência artificial para otimizar o desenvolvimento de novos medicamentos.
O laboratório também se voltou para viroses emergentes, como dengue e Covid-19, utilizando modelos de inteligência artificial para prever a eficácia e segurança de novos compostos antes dos testes laboratoriais.
Reconhecimento e Impacto na Ciência
Em 2014, Carolina recebeu o prêmio Para Mulheres na Ciência, e no ano seguinte, foi reconhecida em Paris como uma das International Rising Talents. Essas experiências a conectaram com outras cientistas renomadas e ampliaram sua visão sobre a pesquisa científica.
Nos anos seguintes, Carolina continuou a ser reconhecida por seu trabalho, recebendo prêmios como o Mulheres Brasileiras na Química e o Early Career Med Chemist Award, destacando sua contribuição para a ciência e a promoção da presença feminina na área.
Equilibrando Maternidade e Carreira Científica
A maternidade trouxe novas perspectivas para Carolina, que aprendeu a equilibrar suas prioridades e a gerir melhor seu tempo. Apesar de considerar diminuir o ritmo, novos projetos e reconhecimentos a motivaram a continuar sua trajetória científica.
Um dos projetos mais recentes de Carolina é o Sensorial Olfactory Framework Immersive AI, que busca integrar o olfato a ambientes de realidade virtual, permitindo que usuários experimentem aromas em experiências digitais.
Incentivando Futuras Cientistas
Carolina compartilha conselhos com meninas interessadas em seguir carreiras científicas, enfatizando a importância de não desistir diante das dificuldades e de construir redes de colaboração. Ela também destaca a humildade como um valor essencial, lembrando que todos têm algo a aprender uns com os outros.
Fonte por: It Forum
