Cesar revela os motivos pelos quais 90% das transformações digitais falham

Cerca de 90% das iniciativas de transformação digital falham, revela pesquisa da McKinsey, levando Eduardo Peixoto a investigar o fenômeno.

26/01/2026 10:00

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Eduardo Peixoto, CEO do Cesar, fala sobre transformação digital....

Desafios da Transformação Digital nas Empresas

Estudos indicam que cerca de 90% das iniciativas de transformação digital falham em alcançar seus objetivos, conforme dados da consultoria McKinsey. Essa alta taxa de insucesso motivou Eduardo Peixoto, CEO do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), a investigar as causas do problema ao longo de quatro anos. Sua pesquisa resultou em uma tese de doutorado que revela uma falha estrutural nos modelos de maturidade digital utilizados por empresas e consultorias, que frequentemente adotam abordagens genéricas, desconsiderando as diferenças estratégicas entre as organizações.

Modelos de Maturidade Digital e suas Limitações

A pesquisa de Peixoto aponta que muitos modelos de maturidade digital assumem que todas as empresas devem seguir o mesmo caminho para alcançar um estágio ideal. Essa abordagem ignora a realidade de que diferentes estratégias competitivas demandam capacidades digitais distintas. Segundo Peixoto, a transformação digital é frequentemente vista como um processo linear, mas as empresas competem de maneiras variadas, o que exige um conjunto de capacidades adaptadas a cada contexto.

Identificação de Inconsistências

A inquietação que levou à pesquisa surgiu em 2019, durante a criação do curso Gened, voltado para a gestão de negócios na era digital. Ao aplicar um índice de maturidade digital em empresas de diversos setores, Peixoto notou que organizações de tamanhos e estratégias diferentes recebiam avaliações semelhantes, o que evidenciou a inadequação dos modelos utilizados.

Essa constatação motivou Peixoto a iniciar seu doutorado em 2021, onde analisou 76 modelos de maturidade digital. Embora alguns incluíssem a dimensão “estratégia”, na prática, essa variável tinha um papel limitado, sendo tratada apenas como a existência de uma iniciativa digital formal.

Proposta de Solução: Framework COPES

Para abordar as falhas identificadas, a tese propõe o framework COPES, que classifica a estratégia competitiva das empresas na economia digital. O modelo considera dois eixos: a natureza do produto (físico ou digital) e o modelo de receita (venda de propriedade ou acesso a serviços). A partir dessa análise, surgem quatro estratégias genéricas que permitem uma comparação mais adequada entre organizações com estratégias semelhantes.

Personalização com Inteligência Artificial

A segunda parte da proposta é a abordagem MaturiX, que utiliza inteligência artificial para gerar questionários de maturidade digital personalizados. Essa metodologia avalia dimensões como cultura, tecnologia e processos, adaptando o conteúdo e o peso das perguntas de acordo com a estratégia competitiva da empresa.

Peixoto destaca que a inteligência artificial pode reduzir o tempo necessário para construir modelos de maturidade, além de validar a relevância das perguntas em relação à estratégia específica de cada organização.

Reflexões sobre a Medição e a Transformação Digital

A pesquisa também trouxe reflexões sobre a utilização de modelos de maturidade na gestão e planejamento. Peixoto enfatiza que nem tudo o que é medido deve direcionar esforços de transformação, pois algumas métricas servem apenas para prestação de contas, sem relação direta com a estratégia da empresa.

Ele observa que a transformação digital é um desafio para empresas estabelecidas que lidam com estruturas e processos legados, em contraste com organizações que nascem digitais e não enfrentam as mesmas limitações.

Próximos Passos e Futuro da Pesquisa

Peixoto planeja tornar sua pesquisa mais acessível, por meio de um livro e uma nova edição do curso Gened, focando na gestão da transformação digital e no uso crítico de modelos de maturidade. Essas iniciativas coincidem com um novo ciclo do Cesar, que está ampliando investimentos em áreas como cibersegurança e inteligência artificial.

Com a crescente influência da inteligência artificial, Peixoto ressalta a necessidade de revisar metodologias educacionais e de desenvolvimento, buscando métodos que façam sentido em um ambiente cada vez mais impactado por essa tecnologia.

Fonte por: It Forum

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