Cibersegurança: IA assume protagonismo na resposta a incidentes

Empresas investirão 50% em segurança para incidentes com IA até 2028, devido à complexidade e à rápida implementação que elevam os riscos.

26/03/2026 17:40

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IA atuando na resposta a incidentes em um centro de operações de...

Desafios da Cibersegurança com a Adoção de Inteligência Artificial

Até 2028, estima-se que metade das ações de resposta a incidentes de cibersegurança nas empresas será direcionada a falhas em aplicações personalizadas de Inteligência Artificial. Essa mudança, prevista pelo Gartner, reflete a rápida implementação de ferramentas de IA sem testes adequados, criando novas vulnerabilidades no ambiente corporativo. A pressão para adotar essas tecnologias está gerando um cenário preocupante para as equipes de cibersegurança.

A complexidade dos sistemas de IA e a velocidade de sua adoção são fatores que intensificam essa demanda. Muitas organizações estão implementando ferramentas de IA antes de realizar testes de segurança completos, o que resulta em vulnerabilidades que as equipes de cibersegurança ainda não estão preparadas para enfrentar.

Plataformas Especializadas Emergem Como Solução Necessária

Em resposta a esse cenário, mais de 50% das empresas planejam adotar plataformas de segurança específicas para IA até 2028. Essas ferramentas são projetadas para lidar com ameaças específicas da Inteligência Artificial, como injeção de prompt e uso indevido de dados sensíveis. As soluções tradicionais de cibersegurança não são adequadas para as particularidades das aplicações de IA, tornando o investimento em soluções nativas uma necessidade estratégica.

Os CISOs estão reavaliando seus orçamentos, pois a alocação de recursos para segurança de IA compete com outras prioridades. Ignorar essa demanda pode resultar em consequências severas, que vão além de danos técnicos.

Conformidade Manual Expõe Empresas a Multas Bilionárias

A pressão regulatória é um fator crítico que agrava a situação. Até 2027, processos manuais de conformidade podem expor 75% das organizações regulamentadas a multas superiores a 5% de sua receita global, o que representa bilhões de dólares para grandes corporações. A governança de IA exige automação, pois processos manuais não conseguem acompanhar a evolução das aplicações e a complexidade das regulamentações.

Além das multas financeiras, as violações de conformidade em sistemas de IA podem resultar em danos à reputação. A visibilidade imediata na mídia pode levar à perda de confiança dos clientes e questionamentos por parte dos investidores. Portanto, a automação da governança de IA tornou-se essencial, exigindo investimento em tecnologia e capacitação das equipes.

Dívida de Dados Consumirá Um Terço do Trabalho de TI

Até 2030, um terço do trabalho de TI será dedicado a remediar a dívida de dados, que se refere ao acúmulo de dados desorganizados, duplicados ou armazenados incorretamente. Essa dívida compromete o funcionamento adequado dos sistemas de IA, pois algoritmos treinados com informações inconsistentes produzem resultados falhos. A cibersegurança é afetada quando dados sensíveis estão dispersos em repositórios não controlados.

Remediar essa dívida exige um esforço significativo, incluindo catalogação, limpeza e migração de grandes volumes de dados. As equipes de TI precisarão alocar recursos humanos e computacionais consideráveis, competindo com projetos de inovação e transformação digital. A gestão de identidades também se tornará crucial, com 70% dos CISOs utilizando inteligência de identidade para mitigar riscos até 2028.

Soberania em Nuvem Torna-se Exigência Estratégica

A dependência de provedores de nuvem adiciona complexidade à cibersegurança. Até 2027, 30% das organizações precisarão de soberania sobre os controles de segurança em nuvem, o que implica retomar o controle sobre configurações e políticas atualmente geridas pelos fornecedores. Aplicações de IA frequentemente processam dados sensíveis, e a falta de controle pode resultar em riscos significativos.

A soberania em nuvem não significa necessariamente a migração total para infraestrutura própria, mas sim a negociação de contratos que garantam controle granular. As organizações precisam de visibilidade total e a capacidade de implementar políticas personalizadas, independentemente do provedor.

Mudança no Perfil dos Profissionais de Segurança

Esse cenário exige uma transformação no papel dos profissionais de cibersegurança, que devem passar de operadores de ferramentas para orquestradores de inteligência. Essa nova função requer um entendimento profundo de IA, governança de dados e automação. O mercado de serviços gerenciados de segurança também está se adaptando, e fornecedores que não oferecerem capacidades nativas de IA perderão relevância.

A demanda por serviços especializados em cibersegurança crescerá, especialmente entre organizações menores que não têm recursos para desenvolver competências internas. A escolha do parceiro certo para segurança de IA tornou-se uma decisão estratégica. Investir em capacitação é urgente, com a necessidade de desenvolver novas habilidades e priorizar programas de treinamento específicos.

A convergência entre IA e cibersegurança não é uma tendência distante, mas uma realidade que moldará os próximos anos. Organizações que se prepararem agora terão uma vantagem competitiva, enquanto aquelas que atrasarem enfrentarão consequências financeiras e reputacionais severas.

Fonte por: Its Show

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