Ciberseguro se adapta à guerra digital e transforma cobertura para empresas
A evolução dos conflitos digitais impacta o mercado de seguros cibernéticos, segundo análise da Forrester, redefinindo regras de cobertura.
Evolução dos Conflitos Digitais e o Mercado de Seguros Cibernéticos
A transformação dos conflitos digitais está impactando significativamente o setor de seguros cibernéticos. De acordo com uma análise da Forrester, ataques relacionados a Estados-nação e tensões geopolíticas estão alterando as diretrizes de cobertura, aumentando a incerteza na proteção financeira das empresas frente a incidentes digitais.
Um marco importante nessa mudança foi o ataque NotPetya, que causou prejuízos globais na casa dos bilhões de dólares e gerou disputas judiciais sobre a aplicação de cláusulas de guerra em apólices de ciberseguro. Casos envolvendo grandes corporações resultaram em indenizações expressivas, evidenciando a complexidade jurídica e financeira desses eventos.
Impacto da Guerra Cibernética nas Apólices de Seguro
Com o agravamento dos conflitos internacionais, especialmente a partir de 2022, o mercado de seguros reagiu rapidamente. Instituições como a Lloyd’s começaram a exigir cláusulas mais rigorosas para excluir ataques patrocinados por Estados em apólices específicas.
Essas alterações foram aprofundadas nos anos seguintes, com revisões que detalham diferentes tipos de exclusões relacionadas a operações cibernéticas ligadas a guerras. Isso implica que um ataque pode não ser coberto dependendo de sua origem e contexto, mesmo que se assemelhe a incidentes tradicionais, como ransomware ou falhas sistêmicas.
Um aspecto crucial é a mudança no critério de análise de cobertura. Anteriormente focada em aspectos técnicos, como o tipo de ataque ou vulnerabilidade explorada, a decisão agora depende fortemente de fatores como atribuição e contexto geopolítico.
Assim, a questão central passa a ser “quem está por trás do ataque” e em qual cenário ele ocorreu, alterando significativamente a forma como as empresas devem avaliar seus riscos.
Retorno do Risco para as Empresas
Essa nova dinâmica faz com que parte do risco, antes transferido para as seguradoras, retorne às organizações. Em situações extremas, as empresas podem descobrir que seus piores incidentes não estão cobertos, tornando-se responsáveis pelos prejuízos.
A análise sugere que o ciberseguro deixa de ser apenas um instrumento de mitigação financeira e passa a exigir uma abordagem mais estratégica, alinhada à gestão de risco corporativo e à compreensão do ambiente geopolítico.
Recomendações para as Empresas
Diante desse cenário, especialistas sugerem que as lideranças de tecnologia e risco adotem uma nova postura. Em vez de se concentrarem apenas nos detalhes técnicos das apólices, o foco deve ser traduzir cláusulas complexas em impactos concretos para o negócio.
Isso inclui simular cenários de ataques com diferentes níveis de atribuição, desde criminosos comuns até ações patrocinadas por Estados, e entender como cada situação afetaria a cobertura.
Outro ponto crítico é preparar a organização para cenários em que a cobertura seja parcial ou inexistente. Isso envolve desde planos de resposta a incidentes até estratégias de liquidez e recuperação operacional.
Fonte por: It Forum
Autor(a):
Redação
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