Deepfakes avançam e dificultam identificação, gerando desafios técnicos e comerciais

Deepfakes se tornam vetor de fraude digital com fácil acesso a vídeos, áudios e fotos falsas de alto realismo por usuários comuns.

27/02/2026 11:50

3 min de leitura

Foto: Davi Reis, Tech Advisor da Unico. Deepfake

Deepfakes: A Nova Fronteira da Fraude Digital

A produção de vídeos, áudios e fotos falsas com alto grau de realismo se tornou acessível, transformando os deepfakes em um novo vetor de fraudes digitais. Com o avanço dos modelos generativos de inteligência artificial, ferramentas que antes eram exclusivas para especialistas agora estão disponíveis para o público em geral. Isso permite a criação de conteúdos falsos a partir de uma única imagem, e em alguns casos, até em tempo real.

Os deepfakes mais sofisticados são quase imperceptíveis ao olho humano e, frequentemente, também escapam das tecnologias tradicionais de detecção. Essa evolução da tecnologia, que saiu dos laboratórios e chegou ao mercado sem controles adequados, aumenta os riscos associados ao seu uso.

O Impacto da Acessibilidade nas Eleições e no Mercado

O avanço dos deepfakes não ocorreu isoladamente; foi impulsionado por investimentos significativos das indústrias de entretenimento e redes sociais em sistemas que sintetizam imagens e vozes com alta fidelidade. Como resultado, versões acessíveis dessas tecnologias estão se espalhando, permitindo a criação de conteúdos falsos a partir de imagens públicas ou de uma única fotografia.

Em contextos eleitorais, essa acessibilidade pode ser explorada para manipulação, com vídeos falsos solicitando votos ou atribuindo declarações a figuras públicas, incluindo pessoas já falecidas. No âmbito corporativo, os deepfakes podem prejudicar a reputação de marcas e influenciar mercados, além de serem utilizados contra indivíduos comuns, resultando em consequências financeiras, roubo de identidade e golpes personalizados.

Identificação de Deepfakes: Sinais em Desaparecimento

Embora ainda seja possível identificar inconsistências em conteúdos gerados por ferramentas menos avançadas, como movimentos oculares artificiais e falhas na sincronização labial, esses sinais estão se tornando cada vez mais raros. Especialistas alertam que expressões faciais e movimentos dos olhos já não são indicadores confiáveis nos deepfakes mais sofisticados, tornando a identificação de sua autenticidade uma tarefa difícil para o usuário comum.

Estratégias de Defesa Contra Deepfakes

Com o aumento da complexidade dos deepfakes, a proteção deve se concentrar na análise do contexto em vez da simples avaliação visual. É essencial considerar se a comunicação era esperada e se faz sentido no momento e canal utilizados. A desconfiança saudável se torna um mecanismo de defesa importante.

Alguns padrões que merecem atenção incluem vídeos curtos, conteúdos que provocam emoções intensas e declarações de figuras públicas não reportadas por fontes confiáveis. Em transações financeiras ou troca de dados sensíveis, recomenda-se buscar validação adicional através de outros meios, como ligações diretas ou confirmações formais.

O Futuro da Segurança Digital

A identificação de deepfakes em 2026 não se baseará apenas na percepção visual. A proteção eficaz exigirá uma combinação de tecnologia avançada, validação contextual e múltiplos fatores de autenticação. Para empresas e consumidores, desconfiar, checar e confirmar se tornará parte da rotina de segurança digital em um ambiente onde a aparência pode ser enganosa.

Fonte por: It Forum

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