Diversidade feminina em TI: da teoria à prática estratégica

Setor de tecnologia no Brasil precisa de 53,5 mil mulheres por ano para alcançar paridade de gênero até 2030, aponta Observatório Softex.

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Carmela Bors, fundadora da SoulAcademy e Roberta Piozzi diretora de projetos e parcerias em educação da Brasscom (Imagem: divulgação) (diversidade)

Carmela Bors, fundadora da SoulAcademy e Roberta Piozzi diretora de projetos e parcerias em educação da Brasscom (Imagem: divulgação) (diversidade)

Crescimento do Setor de Tecnologia e a Presença Feminina no Brasil

O setor de tecnologia no Brasil apresenta um crescimento contínuo, mas ainda enfrenta desafios em relação à presença feminina. De acordo com dados do Observatório Softex, divulgados em 2025, o país precisa incorporar cerca de 53,5 mil mulheres anualmente ao mercado de tecnologia para alcançar a paridade de gênero até 2030.

A discussão sobre diversidade no setor não se limita apenas à ampliação de oportunidades, mas também está relacionada ao desempenho das empresas. Especialistas afirmam que equipes diversas tendem a aumentar a capacidade de inovação e a contribuir para melhores resultados financeiros.

Diversidade e Inclusão no Mercado de Trabalho

Nos últimos anos, a diversidade e inclusão passaram a ser vistas sob a ótica da gestão. Pesquisas indicam que a composição das equipes pode impactar diretamente indicadores como inovação e retenção de talentos. Um levantamento da consultoria McKinsey revela que empresas com maior diversidade étnica e de gênero têm até 35% mais chances de superar concorrentes em desempenho financeiro.

Além disso, um estudo da Deloitte mostra que organizações com equipes diversas registram 25% menos rotatividade, o que reduz custos relacionados à substituição de profissionais. A formação de novos profissionais também reflete essa mudança, com mulheres representando 23% dos estudantes de cursos de tecnologia no Senac EAD.

Desafios da Presença Feminina no Setor

Apesar dos avanços, a presença feminina no setor de tecnologia ainda é limitada. Segundo Carmela Borst, fundadora da SoulAcademy, as mulheres representam cerca de 20% da força de trabalho em tecnologia, com apenas 5% ocupando cargos de liderança. A formação técnica é vista como um caminho crucial para aumentar o acesso das mulheres à área.

Carmela destaca que a diversidade deve caminhar junto com a competência, e muitas profissionais sentem a necessidade de demonstrar preparo adicional para ocupar determinados espaços. A necessidade de políticas deliberadas dentro das empresas também é enfatizada por Roberta Piozzi, diretora da Brasscom, que defende a importância de metas claras e acompanhamento constante para ampliar a diversidade.

Obstáculos e Oportunidades no Ambiente de Trabalho

Além da sub-representação, mulheres no setor de tecnologia enfrentam desafios como disparidade salarial e assédio no ambiente de trabalho. Carmela sugere que redes de apoio entre profissionais podem ajudar a lidar com essas situações, tornando-as menos toleradas nas empresas.

A maternidade é outro ponto crítico nas políticas corporativas. Roberta Piozzi afirma que empresas que implementam programas de inclusão e garantem progressão de carreira durante ou após a licença-maternidade tendem a fortalecer a retenção de talentos, promovendo mulheres à liderança e contribuindo para a sustentabilidade do setor a longo prazo.

A Influência da Inteligência Artificial na Formação Profissional

Com a expansão da inteligência artificial, especialistas alertam que a diversidade na formação de profissionais pode impactar o desenvolvimento de novas tecnologias. Carmela enfatiza a importância de ampliar o acesso à educação técnica para evitar que sistemas automatizados reproduzam vieses sociais existentes.

A educação tem o potencial de transformar trajetórias, e quanto mais diversidade houver na construção dessas tecnologias, maiores serão as chances de desenvolver sistemas mais representativos. Roberta Piozzi complementa que a ampliação da presença feminina na tecnologia depende de uma combinação de formação, políticas corporativas e mudanças culturais no setor.

Fonte por: It Forum

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