Desafios da Inteligência Artificial no Setor de Telecomunicações
Durante uma coletiva de imprensa realizada na sexta-feira, 13 de março, Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson Cone Sul da América Latina, destacou a crescente pressão da inteligência artificial (IA) no mercado de telecomunicações. Ele mencionou que está se formando uma disputa pelo domínio da arquitetura de inferência, também conhecida como edge computing.
Segundo Dienstmann, a questão central é quem controlará essa arquitetura: as operadoras de telecomunicações, os hyperscalers ou um terceiro ator ainda desconhecido. Ele enfatizou que as operadoras reconhecem que a IA transformou o cenário do setor e que a indústria está ansiosa por respostas sobre quem será o responsável pela inferência nas redes.
Preparação das Redes para a Inteligência Artificial
A Ericsson se posiciona como uma parceira pronta para auxiliar as operadoras na adaptação de suas redes à nova realidade imposta pela IA. Dienstmann explicou que a relevância do uplink aumentou significativamente, uma vez que a IA exige o envio de grandes volumes de dados e a recepção de menos informações. Essa mudança representa uma transformação fundamental nas redes, que foram originalmente projetadas para uso humano.
Andrea Faustino, CTO da Ericsson Latam South, acrescentou que a empresa já implementa algoritmos de IA em diversas áreas de seu portfólio, incluindo equipamentos de RAN e software de core, demonstrando um compromisso com a inovação tecnológica.
Desafios do 5G e Presença no Mercado B2B
O CEO da Ericsson também comentou sobre a presença limitada da empresa em redes privativas e no mercado B2B. Embora tenha reconhecido que o progresso foi modesto, ele observou que a demanda por 5G está crescendo, especialmente em setores como mineração, onde projetos estão começando a incorporar a nova tecnologia.
Perspectivas Futuras e Monetização do 5G
Rodrigo Dienstmann lamentou a perda da TIM no mercado de 5G e observou que as vendas na região permaneceram estáveis, com a Ericsson se destacando em relação à Nokia, mas ainda atrás da Huawei. Ele mencionou um aumento significativo nos investimentos em 5G em 2023 e 2024, mas alertou que esses aportes estão diminuindo. A monetização do 5G continua sendo uma prioridade para a empresa.
Iniciativas em APIs e Novos Modelos de Negócio
O executivo também abordou a joint venture Aduna, formada pela Ericsson e grandes operadoras internacionais para a comercialização de APIs do Open Gateway. Ele revelou que está em negociação para conectar operadoras brasileiras à plataforma, permitindo que elas vendam recursos de suas redes em projetos globais.
A Ericsson enfatizou a importância de as operadoras utilizarem APIs como uma nova fonte de receita nas redes 5G. Dienstmann concluiu que os modelos de negócios precisam evoluir, deixando de lado a venda por gigabytes e adotando a venda por slices, para que a monetização se torne uma realidade.
Fonte por: Convergencia Digital
