“Eu queria provar que era possível”: conheça Érika Rossetto, única mulher na diretoria espacial global

Érika Rossetto entrou no INPE aos 16 anos durante uma excursão escolar e se encantou com um satélite brasileiro.

4 min de leitura
Érika Rosseto

Érika Rosseto

Trajetória de Érika Rossetto no Setor Espacial

Érika Rossetto, que entrou pela primeira vez em um laboratório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aos 16 anos, teve sua primeira experiência com satélites durante uma excursão escolar. A visita ao INPE, em São José dos Campos, despertou seu interesse pela área, onde viu técnicos trabalhando em um satélite brasileiro em fase de fabricação. Essa experiência a inspirou a seguir uma carreira no setor espacial.

Hoje, Érika é gerente da dinâmica orbital da frota de satélites da Claro e ocupa um cargo de diretora na Space Data Association (SDA), uma organização internacional que visa compartilhar dados e minimizar riscos de colisões entre satélites e detritos espaciais. Desde a fundação da SDA em 2009, ela é a única mulher a ter ocupado um cargo na diretoria.

Da Matemática à Astronomia

Crescendo em São José dos Campos, Érika sempre teve facilidade com matemática, mas não se via em uma carreira de exatas até a visita ao INPE. Durante a excursão, notou que a maioria dos pesquisadores era composta por homens, o que a motivou a fazer perguntas sobre a presença feminina na área. Um professor mencionou que as mulheres que atuavam no setor costumavam estudar astronomia e mecânica celeste, o que a levou a decidir seguir essa carreira.

Com apenas um curso de astronomia disponível no Brasil na época, ela se mudou para o Rio de Janeiro para estudar na UFRJ. Durante a graduação e o início do mestrado, Érika teve a oportunidade de trabalhar na Embratel (atual Claro) no setor de dinâmica orbital, onde controla e mantém os satélites em operação.

Desafios dos Detritos Espaciais

O mestrado de Érika focou em um dos principais problemas do setor: os detritos em órbita. Ela percebeu a importância do tema durante seu trabalho e decidiu direcionar sua pesquisa para desenvolver soluções práticas. Quando um satélite atinge o fim de sua vida útil ou sofre um acidente, ele se torna um risco de colisão para outros satélites em operação.

Érika desenvolveu uma metodologia para rastrear detritos espaciais usando astrometria, uma técnica da astronomia. Essa abordagem melhorou a precisão no cálculo das posições dos detritos, que se movem rapidamente em relação à Terra. Atualmente, essa técnica é utilizada por diversas redes de observação de objetos em órbita.

Desafios da Maternidade na Carreira

Érika é mãe de dois filhos e enfrentou desafios logísticos e profissionais ao conciliar maternidade e carreira. Ela relata que, ao ter seu primeiro filho aos 22 anos, muitos professores não consideravam sua situação, o que a levou a perder algumas matérias. Ao ter sua segunda filha, já trabalhava na Claro e conseguiu garantir sua posição após a licença-maternidade.

Ela observa que, enquanto seus colegas homens não enfrentam perguntas sobre quem cuidará das crianças durante viagens de trabalho, ela frequentemente é questionada sobre isso. Essa diferença de tratamento reflete uma expectativa de que as mulheres devem se justificar por suas escolhas profissionais.

Inclusão e Oportunidades para Mulheres

Como gestora, Érika busca criar um ambiente mais inclusivo em sua equipe. Nos últimos processos seletivos de estágio, todas as aprovadas foram mulheres, não por critério de gênero, mas por mérito. Ela acredita que a questão da inclusão começa na infância, onde as referências de profissões ainda são predominantemente masculinas.

Érika destaca que, ao pesquisar “astronauta criança” no Google, as referências são majoritariamente de meninos, o que pode desencorajar meninas a sonharem com carreiras na área espacial. Sua própria experiência ao comprar uma mochila de astronauta para a filha, que gerou questionamentos sobre o pedido, ilustra a necessidade de mudar essa percepção.

O Futuro do Brasil no Setor Espacial

Ao analisar o posicionamento do Brasil no setor espacial, Érika observa que os ciclos de investimento dependem de prioridades políticas e competem com demandas sociais urgentes. No entanto, ela vê sinais positivos, como o crescimento de grupos de pesquisa, o surgimento de startups focadas em nanossatélites e o aumento de colaborações com institutos internacionais.

Érika acredita que, apesar dos desafios, o Brasil está evoluindo lentamente no setor espacial, destacando-se pela criatividade na pesquisa e na busca por soluções inovadoras. Essa abordagem diferenciada pode ser um grande diferencial para o país no cenário internacional.

Fonte por: It Forum

Sair da versão mobile