Exclusão do Brasil pela UE eleva rastreabilidade digital como prioridade no agronegócio

EUDR acelera digitalização e compliance no agro
A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, devido à falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos proibidos na criação animal. Com US$ 1,8 bilhão em exportações de carne ameaçadas e a nova regulação antidesmatamento (EUDR) entrando em vigor em dezembro, o agronegócio brasileiro enfrenta um desafio significativo para implementar sistemas de rastreabilidade digital.
A EUDR exige que as commodities agrícolas exportadas ao bloco sejam comprovadamente livres de desmatamento em áreas rastreadas desde dezembro de 2020. Isso inclui soja, carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma. A nova legislação demanda não apenas documentação, mas também coordenadas geográficas precisas e integração de bases de dados públicas e privadas, impulsionando uma corrida tecnológica no setor agropecuário.
Estudos indicam que até 16% das exportações da agroindústria brasileira podem ser afetadas se os produtores não atenderem às novas exigências. A consultoria BIP estima um impacto potencial de US$ 17,5 bilhões anuais em custos adicionais e perdas de oportunidade. Atualmente, apenas 40% do rebanho bovino nacional é rastreável, e apenas 4,5% dos imóveis cadastrados no CAR têm análise de regularidade ambiental concluída.
Cadeia de proteína animal entra em alerta
O setor de proteína animal é um dos mais afetados pela nova regulamentação europeia. Relatórios indicam que poucos frigoríficos na Amazônia Legal estão habilitados para exportar à União Europeia, devido à dificuldade em comprovar a rastreabilidade completa da cadeia pecuária. Além disso, o bloco europeu impôs novas exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
As áreas de tecnologia nas empresas estão se mobilizando para atender às exigências de compliance regulatório, utilizando ferramentas como blockchain, inteligência artificial e monitoramento satelital para minimizar riscos operacionais e evitar sanções comerciais.
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São Paulo e União Europeia ampliam cooperação tecnológica
Para enfrentar a pressão regulatória, o estado de São Paulo firmou uma parceria com a União Europeia para fortalecer programas de rastreabilidade no agronegócio. Essa cooperação visa integrar dados, capacitar técnicos e desenvolver projetos que atendam ao EUDR, aumentando a capacidade de monitoramento das cadeias produtivas e reduzindo riscos para os exportadores brasileiros.
Especialistas afirmam que a adaptação ao novo modelo europeu exigirá investimentos significativos em infraestrutura digital e governança de dados. A tendência é que soluções de ESG analytics e plataformas integradas de compliance se tornem padrão nas operações de exportação, enquanto o debate sobre os impactos econômicos da regulamentação continua.
Cibersegurança: o elo mais frágil dessa cadeia
A digitalização do agronegócio brasileiro traz à tona a necessidade de fortalecer a cibersegurança. Em 2025, foram registrados 39.034 ataques cibernéticos no setor, com ransomware sendo o principal vetor. Vulnerabilidades que permitam a adulteração de dados de rastreabilidade podem comprometer a credibilidade do sistema perante os fiscalizadores europeus.
O mercado de cibersegurança especializado em infraestruturas agrícolas ainda está em desenvolvimento, representando tanto uma vulnerabilidade crítica quanto uma oportunidade para empresas de segurança da informação que desejam atender a esse segmento.
Orçamento, oportunidade e janela de tempo
O setor agropecuário está começando a alocar recursos para inovação, com entre 10% e 20% do orçamento de TI destinado a iniciativas voltadas para a digitalização. O mercado global de inteligência artificial aplicada à pecuária de precisão está projetado para crescer significativamente nos próximos anos.
O Ministro da Agricultura reafirmou que o Brasil continuará exportando para a Europa, mas a implementação de sistemas de rastreabilidade digital é urgente. Empresas que investirem em governança de dados e cibersegurança não apenas preservarão suas receitas, mas também conquistarão uma vantagem competitiva no acesso a mercados globais premium.
Fonte por: Its Show
Autor(a):
Redação
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