Falso CAPTCHA compromete segurança de empresa com um único clique

Ataque ClickFix com CAPTCHA falso ameaça empresas, representando 47% dos ataques e burlando proteções convencionais.

23/02/2026 13:40

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Funcionário em escritório corporativo interage com um CAPTCHA fa...

Ciberataques com CAPTCHA Falso Comprometem Organizações

Em fevereiro de 2025, uma grande organização polonesa teve sua infraestrutura comprometida por uma campanha de ciberataques que utilizou páginas CAPTCHA falsas. A técnica conhecida como ClickFix, que representa 47% dos ataques registrados pela Microsoft no último ano, engana os usuários para que executem código malicioso através de um simples script PowerShell.

A cibersegurança corporativa enfrenta uma nova ameaça que não depende de vulnerabilidades técnicas, mas sim da manipulação do comportamento humano. Um único funcionário caiu em um golpe sofisticado, resultando em um comprometimento total da infraestrutura da empresa.

Os dados são alarmantes, pois a técnica ClickFix se tornou um dos métodos de acesso inicial mais perigosos, evidenciando uma mudança nas táticas dos cibercriminosos.

Como Funciona o Ataque com CAPTCHA Falso

O ataque é engenhosamente simples. Os criminosos criam páginas que imitam verificações CAPTCHA legítimas. Quando a vítima acessa o site comprometido, uma mensagem solicita que o usuário copie e execute um script PowerShell através do diálogo Run do Windows, acionado pela combinação de teclas Win+R.

Essa abordagem contorna as proteções de segurança do navegador, pois o código malicioso é executado diretamente pelo sistema operacional, após o usuário seguir as instruções fornecidas.

A técnica ClickFix representa uma evolução em relação aos métodos tradicionais de phishing, transformando o próprio usuário em vetor de ataque ao explorar a confiança nas verificações CAPTCHA.

Malware Latrodectus e Técnicas Avançadas de Evasão

Após a execução inicial, o ataque implanta o malware Latrodectus, que utiliza técnicas avançadas de anti-análise. Este malware evita detecções por soluções de segurança e verifica se está sendo executado em ambientes sandbox, utilizados por pesquisadores de segurança.

A gravidade do ataque aumenta, pois algumas campanhas implantam até cinco famílias distintas de malware a partir de uma única infecção, o que significa que um único erro pode abrir portas para múltiplos tipos de ataques simultâneos.

Adoção Generalizada por Diversos Atores de Ameaça

A técnica ClickFix não é exclusiva de um único grupo criminoso. Desde maio de 2024, a campanha ClearFake, conhecida por outras atividades maliciosas, começou a utilizar esse método, demonstrando a rápida adoção entre diferentes atores de ameaça.

Essa abordagem tem sido adotada por grupos de diversos níveis de sofisticação, incluindo aqueles patrocinados por Estados-nação. A versatilidade do método o torna atraente tanto para cibercriminosos comuns quanto para operações de espionagem avançadas.

A democratização dessa técnica representa um desafio significativo para as equipes de segurança, que agora precisam se defender contra um método facilmente replicável por qualquer atacante com conhecimentos básicos.

Impacto Crítico no Setor Corporativo

A mudança tática no cenário de cibersegurança corporativa é profunda. As organizações não podem mais depender apenas de soluções técnicas para proteção. A engenharia social, elevada a esse nível de sofisticação, exige uma resposta multifacetada.

As empresas devem adotar modelos de confiança zero, onde nenhuma ação é considerada segura por padrão. O monitoramento de atividades suspeitas de PowerShell e operações de clipboard deve ser intensificado, pois são ferramentas principais utilizadas nos ataques.

Além disso, o treinamento de conscientização de segurança precisa evoluir, educando os funcionários sobre técnicas específicas como o ClickFix e a necessidade de tratar instruções para executar comandos no sistema operacional com extrema cautela.

O Futuro da Segurança Corporativa

O caso da organização polonesa serve como um alerta para empresas em todo o mundo. A rapidez com que uma única interação pode comprometer uma infraestrutura inteira demonstra a fragilidade das defesas tradicionais contra ataques que exploram o fator humano.

As equipes de TI e cibersegurança precisam reconhecer que a batalha mudou. A linha de defesa mais crítica agora é o usuário, e investir em sua educação e em ferramentas que detectem comportamentos anômalos tornou-se tão importante quanto qualquer solução técnica.

A estatística de 47% de ataques utilizando essa técnica não é apenas um número, mas uma transformação fundamental no cenário de ameaças que exige uma resposta imediata e abrangente de todas as organizações que levam sua segurança digital a sério.

Fonte por: Its Show

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