Ian Beacraft afirma que IA transfere funções humanas para o design de sistemas

Ian Becraft destaca a transformação das empresas com a inteligência artificial além da produtividade.

17/03/2026 10:00

4 min de leitura

Ian Becraft, CEO da Signal and Cipher. Imagem: Divulgação

A Revolução da Inteligência Artificial nas Organizações

A adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas ainda se baseia em uma lógica tradicional, focada em acelerar tarefas já existentes. Contudo, essa tecnologia começa a provocar mudanças mais profundas, afetando não apenas a produtividade individual, mas também a estrutura organizacional como um todo.

Essa mensagem foi destacada por Ian Becraft, CEO da Signal and Cipher, durante sua apresentação no SXSW 2026, em Austin (EUA). Ele comparou as transformações atuais às mudanças trazidas pela industrialização, ressaltando que as empresas ainda tentam integrar a nova tecnologia em modelos organizacionais que não são adequados para o contexto atual.

Becraft observou que, nos últimos 150 anos, as empresas foram moldadas em torno das limitações humanas, como atenção limitada e alto custo de execução. Agora, com a redução dos custos de execução, as organizações continuam a operar como se esses custos ainda fossem altos.

Desafios da Implementação da IA

Segundo Becraft, muitas empresas utilizam a IA apenas para acelerar tarefas, como a redação de e-mails e a análise de dados, resultando em ganhos de eficiência pontuais, mas sem alterar o funcionamento do sistema como um todo. Ele argumenta que essa abordagem gera melhorias locais, mas não resolve os gargalos existentes.

Essa mentalidade explica por que muitas iniciativas de IA têm resultados modestos. As empresas introduzem novas ferramentas, mas mantêm suas estruturas de decisão e divisão de trabalho, que foram projetadas para um mundo onde a execução era lenta e custosa.

Para Becraft, a verdadeira mudança trazida pela IA não está na automação de tarefas, mas na significativa redução do custo de execução. Hoje, o custo de criar protótipos é tão baixo que pode ser inferior ao custo de reuniões para decidir sua viabilidade.

Redefinindo o Trabalho nas Organizações

Becraft sugere que o trabalho nas organizações deve ser dividido em três níveis. O primeiro nível é composto por operadores, que executam tarefas e representam cerca de 95% das funções atuais. O segundo nível envolve o design de processos e fluxos de trabalho, enquanto o nível mais alto é ocupado pelos arquitetos organizacionais, que definem regras e objetivos que orientam o funcionamento dos sistemas.

Ele enfatiza que não se trata apenas de usar a IA para realizar o mesmo trabalho de forma mais rápida, mas de redesenhar a organização do trabalho.

Experimentos com Agentes de IA

A Signal and Cipher conduziu um experimento com um ambiente organizacional operado majoritariamente por agentes de IA. Esses agentes receberam tarefas e objetivos, mas não instruções detalhadas sobre como se coordenar, resultando em um sistema que passou por ciclos de tentativa e erro para gerar regras e procedimentos.

Essa experiência revelou que as empresas funcionam como dois sistemas sobrepostos: um de coordenação, que distribui tarefas e monitora a qualidade, e outro de cultura organizacional, que cria identidade e pertencimento. A introdução de agentes de IA permite observar esses sistemas de forma independente.

A Cultura como Diferencial Competitivo

A separação entre coordenação e cultura abre um novo debate sobre o papel da cultura nas empresas. Se a coordenação do trabalho pode ser automatizada, os valores organizacionais passam a influenciar diretamente o comportamento dos sistemas de IA.

Becraft acredita que as empresas começarão a codificar princípios, como padrões de qualidade e critérios de decisão, em conjuntos de dados que guiarão agentes autônomos. Essa abordagem transforma a identidade organizacional em uma infraestrutura essencial.

Construindo uma Fundação Sólida

Para Becraft, uma das principais armadilhas na corrida pela IA é o foco excessivo nas ferramentas, que mudam rapidamente. Em contraste, os sistemas organizacionais são mais duradouros. Ele defende que as empresas devem se concentrar em estabelecer fundamentos estáveis, como valores e processos de decisão, antes de se preocuparem com as ferramentas.

Ele conclui que essa fundação será crucial para determinar quais organizações conseguirão se adaptar a um ambiente onde a execução se torna cada vez mais automatizada, e onde o valor humano reside na capacidade de desenhar sistemas que evoluem continuamente.

Fonte por: It Forum

Autor(a):

Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real