Julgamento na Califórnia responsabiliza Instagram e YouTube por “máquinas de vício” para jovens
Julgamento histórico na Califórnia investiga impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes, com foco em Instagram e YouTube.
Julgamento Histórico sobre Redes Sociais e Saúde Mental de Adolescentes
Um julgamento significativo teve início na Califórnia, nos Estados Unidos, abordando o impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes. Advogados da acusação alegaram que plataformas como Instagram e YouTube foram projetadas para incentivar comportamentos compulsivos entre crianças.
O processo está sendo conduzido na Los Angeles Superior Court pela juíza Carolyn B. Kuhl e deve durar cerca de seis semanas. A ação foi movida em nome de uma jovem identificada como K.G.M., que teria desenvolvido dependência das plataformas durante a adolescência.
O advogado Mark Lanier, que representa a autora, argumentou que as empresas criaram sistemas que estimulam o cérebro dos jovens usuários intencionalmente. Ele apresentou documentos internos que indicariam que as empresas tinham metas voltadas para aumentar o tempo de uso das plataformas.
Entre os materiais apresentados, um e-mail de 2015 de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, mencionava a necessidade de aumentar o tempo gasto nas plataformas para atingir objetivos comerciais. A acusação também destacou que o YouTube teria direcionado esforços para atrair usuários jovens visando maior valor publicitário.
O advogado ainda afirmou que as empresas não alertaram adequadamente pais e adolescentes sobre os riscos associados ao design das plataformas, como notificações constantes e rolagem infinita.
Defesa Aponta Fatores Externos
Na defesa, representantes da Meta e do YouTube argumentaram que as dificuldades emocionais da jovem não eram resultado da negligência das empresas, mas de fatores externos. O advogado da Meta destacou que a autora tinha um histórico de conflitos familiares, incluindo negligência e violência doméstica.
De acordo com a defesa, registros apresentados ao júri indicam que a jovem já enfrentava problemas psicológicos antes de usar intensivamente as redes sociais. O argumento central é que o Instagram não foi o principal fator para o agravamento de sua saúde mental.
O julgamento deve contar com a participação de especialistas, ex-funcionários da Meta e executivos das plataformas, incluindo Adam Mosseri, chefe do Instagram, e Neal Mohan, CEO do YouTube.
Repercussões do Julgamento
O resultado deste caso pode estabelecer precedentes importantes para indenizações em processos semelhantes movidos por famílias e autoridades nos Estados Unidos. Além disso, 29 procuradores-gerais estaduais solicitaram que a Justiça obrigue a Meta a realizar mudanças significativas em seus serviços.
As medidas solicitadas incluem a remoção de contas de usuários com menos de 13 anos e a exclusão de dados coletados de crianças. Um grupo de 18 estados também busca restrições de horário para o uso por menores e a desativação de recursos considerados viciantes.
Nos últimos dois anos, a Meta implementou ajustes nas contas para adolescentes no Instagram, incluindo filtros de conteúdo mais restritivos. No entanto, procuradores estaduais consideram essas mudanças insuficientes para garantir a proteção efetiva dos jovens.
Acordos e Exclusões no Caso
No caso de K.G.M., as empresas Snap e TikTok chegaram a acordos antes do início do julgamento e não são mais rés. A Meta e o YouTube continuam como os principais alvos da ação.
As empresas argumentam que não podem ser responsabilizadas pelo conteúdo publicado por terceiros, citando proteções da legislação federal dos Estados Unidos.
A audiência tem atraído um grande público, incluindo pais que acreditam que as decisões de design das plataformas, como algoritmos de recomendação, têm causado impactos negativos na vida de seus filhos.
Fonte por: It Forum
Autor(a):
Redação
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