Justiça do Trabalho classifica motorista da 99 como trabalhador avulso digital

Decisão do TRT2 aponta que solução intermediária preserva direitos e evita adaptação forçada do contrato de trabalho.

02/04/2026 13:00

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(Imagem de reprodução da internet).

Justiça do Trabalho Reconhece Motorista de Aplicativo como Trabalhador Avulso

A Justiça do Trabalho inicia um novo processo para regular a relação entre plataformas digitais e seus trabalhadores. A 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo decidiu que um motorista de aplicativo deve ser considerado um trabalhador avulso, uma alternativa que evita o vínculo empregatício tradicional, mas assegura direitos trabalhistas.

Detalhes do Caso

O caso em questão envolve uma ação contra a 99 Tecnologia, onde o motorista buscava o reconhecimento de sua relação de emprego. Na primeira instância, o pedido foi negado, com a justificativa de que a forma de atuação não atendia aos requisitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Ao analisar o recurso, a maioria dos desembargadores concordou que não havia elementos suficientes para caracterizar o vínculo empregatício convencional, como subordinação, pessoalidade e habitualidade. No entanto, a tese de trabalho autônomo pleno também foi rejeitada.

Modelo de Trabalho Avulso

A relatora do caso, Ivani Contini Bramante, destacou que o modelo de trabalho avulso possui “inequívoca similitude estrutural” com a atividade dos motoristas de aplicativos. Ela observou que, apesar de os profissionais se conectarem à plataforma conforme sua disponibilidade, eles estão inseridos em uma estrutura organizacional que impõe regras unilaterais e gera dependência econômica.

Implicações da Decisão

Segundo a magistrada, essa abordagem intermediária evita a negação total de direitos e a adaptação inadequada do contrato de trabalho tradicional a um modelo que não se encaixa nas categorias clássicas. O reconhecimento como trabalhador avulso garante um nível mínimo de proteção constitucional e demonstra a capacidade do Direito do Trabalho de se adaptar a novas formas de organização produtiva.

Consequências para a Empresa

Com essa decisão, a 99 Tecnologia foi condenada a pagar verbas trabalhistas, incluindo aviso-prévio, 13º salário e férias referentes a 2023 e 2024. Além disso, a empresa deverá arcar com a multa prevista no artigo 477 da CLT e realizar os depósitos de FGTS correspondentes a todo o período trabalhado, acrescidos da multa de 40%.

Fonte por: Convergencia Digital

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