Justiça utiliza 373 milhões de processos para minimizar alucinações da IA generativa

STJ recomenda cautela no uso de inteligência artificial em reunião com tribunais de segunda instância, presente em 45% do Judiciário.

05/11/2025 12:45

3 min

Justiça utiliza 373 milhões de processos para minimizar alucinações da IA generativa
(Imagem de reprodução da internet).

Uso Cauteloso da Inteligência Artificial no Judiciário Brasileiro

Durante um encontro com tribunais de segundo grau, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) enfatizou a necessidade de um uso cauteloso da inteligência artificial (IA) nas cortes do Brasil. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, mais de 45% dos tribunais já estão incorporando IA generativa em suas atividades.

Desafios e Oportunidades da IA no Judiciário

O presidente do STJ, Herman Benjamin, destacou que a IA é uma tecnologia em crescimento, ainda em fase inicial, que requer cuidado em sua implementação. Ele reconheceu que, embora a análise de mérito ainda não seja comum, já existem aplicações em processos de admissibilidade de recursos e na gestão de matérias repetitivas.

Desafios Identificados

O vice-presidente do STJ, Luis Felipe Salomão, mencionou três desafios principais: aprimorar a atividade jurisdicional, estabelecer padrões éticos e seguros para o uso da tecnologia e integrar essas abordagens para elevar a qualidade do trabalho nos tribunais.

Benefícios e Riscos da IA

A juíza federal Daniela Madeira, que preside o Comitê Nacional de IA do Judiciário, apontou benefícios como maior agilidade processual e redução de custos. No entanto, ela também alertou sobre riscos, incluindo a falta de profissionais qualificados, preocupações com a privacidade e a possibilidade de vieses discriminatórios nos algoritmos. Madeira enfatizou a necessidade de diretrizes claras que garantam transparência e supervisão humana.

Implicações Práticas do Uso de IA

O professor e advogado Dierle Nunes abordou os perigos do uso desordenado da IA, ressaltando que essa tecnologia pode “alucinar”, ou seja, criar informações fictícias quando não possui dados suficientes. Ele advertiu que a confiança excessiva na IA pode levar a uma “erosão ética”, onde os operadores do direito perdem sua capacidade crítica.

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Atualmente, tribunais superiores já utilizam diversas ferramentas de IA. Sistemas como Victor, que classifica temas de repercussão geral, e VitórIA, que agrupa processos semelhantes, são exemplos conhecidos entre os magistrados. A mais recente inovação, chamada Maria, é capaz de gerar ementas, pesquisar jurisprudência e corrigir textos. O STJ também utiliza o STJLogos, um chatbot jurídico baseado em IA generativa.

A eficiência da IA nos tribunais está diretamente relacionada à qualidade e ao volume de dados disponíveis. Por isso, a evolução do Data Lake do Poder Judiciário, que já contém 373 milhões de processos, é fundamental. Esse repositório visa fornecer um banco de dados amplo e diversificado, minimizando o risco de “alucinações” e vieses, além de aprimorar a análise de admissibilidade de recursos por meio da identificação automatizada de precedentes.

Fonte por: Convergencia Digital

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