Meta e Google enfrentam processo por vício digital entre crianças
Meta e Google enfrentam processo por vícios em redes sociais; caso pode afetar regulação digital e ECA Digital no Brasil.
Julgamento Histórico de Meta e Google sobre Vício Digital
Meta e Google estão enfrentando um julgamento significativo no Tribunal Superior da Califórnia, acusados de desenvolver produtos intencionalmente viciantes que afetam crianças e adolescentes. Este caso, que reúne mais de 800 ações judiciais, pode estabelecer um precedente jurídico internacional semelhante aos processos contra a indústria do tabaco nos anos 90, impactando a regulação de plataformas digitais no Brasil e forçando empresas de tecnologia a reconsiderarem suas estratégias de engajamento e proteção de dados.
Depoimentos Revelam Estratégias de Engajamento Agressivas
Durante o julgamento, Mark Zuckerberg e Adam Mosseri, executivos da Meta, prestaram depoimentos sob juramento. E-mails de 2014 e 2015 foram apresentados, nos quais Zuckerberg estabelecia metas claras para aumentar o tempo de uso do Instagram em percentuais significativos.
Os advogados da acusação questionaram os executivos sobre decisões de design de algoritmos e a implementação de rolagem infinita, além de estudos internos que já indicavam os efeitos negativos dessas funcionalidades na saúde mental dos jovens. As evidências mostram que as empresas estavam cientes dos riscos antes de adotarem medidas corretivas.
O júri, composto por 12 pessoas, acompanha um julgamento que pode se estender até março de 2026, tornando este caso um marco para a indústria tecnológica global.
Precedente Jurídico com Alcance Internacional
Especialistas em direito digital comparam este julgamento aos processos contra a indústria do tabaco, onde fabricantes foram responsabilizados por ocultar riscos. Uma condenação pode levar a mudanças significativas na operação das plataformas digitais, com empresas como TikTok e Snapchat já optando por acordos confidenciais antes do julgamento.
Para as empresas de tecnologia no Brasil, isso representa um alerta. A responsabilização por designs viciantes pode afetar qualquer plataforma que utilize técnicas de gamificação ou algoritmos de recomendação.
Impactos Diretos para o Setor de TI no Brasil
O Brasil possui um robusto arcabouço legal para proteção de dados, incluindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Geral de Proteção de Dados. Uma condenação nos EUA pode acelerar a aplicação dessas normas no Brasil, obrigando empresas de TI a revisar seus sistemas de moderação de conteúdo e implementar ferramentas de controle parental.
Departamentos de cibersegurança enfrentarão novos desafios relacionados à transparência algorítmica, com a possibilidade de auditorias independentes se tornarem obrigatórias. Executivos de TI devem mapear riscos jurídicos e implementar limites nas estratégias de engajamento.
Responsabilidade Civil das Plataformas em Questão
O julgamento aborda a responsabilidade civil por danos causados por produtos digitais. Tradicionalmente, plataformas alegavam ser intermediárias neutras, mas evidências mostram que algoritmos promovem conteúdos e comportamentos. No Brasil, o Marco Civil da Internet estabelece regras sobre responsabilidade, mas há lacunas quanto à responsabilização por design de produto.
Isso implica que decisões sobre arquitetura de sistemas e lógica de algoritmos terão implicações jurídicas diretas, tornando essencial a documentação de processos decisórios e consultas a especialistas em saúde mental.
Preparação para Mudanças Regulatórias Iminentes
Independentemente do resultado do julgamento, a tendência global é de maior regulação das plataformas digitais. Empresas brasileiras que operam globalmente devem se antecipar a esse movimento, investindo em práticas de proteção de dados e estabelecendo comitês de ética.
O setor de TI brasileiro tem a oportunidade de liderar pelo exemplo, implementando práticas responsáveis antes que regulações mais severas sejam impostas. Essa postura proativa não apenas reduz riscos jurídicos, mas também fortalece a reputação corporativa em um cenário onde consumidores valorizam práticas empresariais éticas.
Fonte por: Its Show
Autor(a):
Redação
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