Métricas de segurança que iludem e o que realmente deve ser medido

Métricas de cibersegurança podem criar falsa sensação de controle e ocultar riscos críticos para o negócio.

09/05/2026 14:50

4 min

Métricas de segurança que iludem e o que realmente deve ser medido
(Imagem de reprodução da internet).

Desafios na Medição de Segurança da Informação

A segurança da informação exige medições constantes, mas muitas organizações enfrentam um problema silencioso: medem excessivamente e compreendem pouco. Apesar de dashboards sofisticados e gráficos atrativos, a verdadeira questão surge quando um incidente ocorre: “Como não percebemos isso antes?”. A resposta geralmente não está na falta de dados, mas na escolha inadequada do que deve ser medido.

O Perigo das Métricas Atraentes

As métricas frequentemente utilizadas em segurança são, na maioria das vezes, métricas de conforto. Elas são simples de coletar e apresentar, mas raramente geram questionamentos. Exemplos comuns incluem o número total de vulnerabilidades, a conformidade com políticas e a quantidade de incidentes reportados. Embora esses indicadores tenham valor operacional, muitas vezes são usados como substitutos para uma segurança real.

Um Exemplo Comum

Uma empresa do setor financeiro apresentava ao seu conselho 98% de conformidade, uma redução contínua de vulnerabilidades e 100% dos colaboradores treinados. No entanto, sofreu um incidente significativo relacionado ao acesso indevido a dados sensíveis. A causa não era algo invisível, mas sim permissões excessivas em um sistema crítico que não estavam sendo monitoradas. Assim, a organização estava “segura” nas métricas, mas vulnerável na prática.

Medindo Esforço em Detrimento do Risco

Muitas métricas refletem atividade, não impacto. Exemplos como “Aplicamos 1.000 patches” ou “Fechamos 800 vulnerabilidades” demonstram produtividade, mas não respondem à pergunta crucial: “Estamos menos expostos ao risco?”. Sem essa conexão, a segurança se torna uma função orientada a volume, em vez de focar na redução real do risco.

Quando Menos Incidentes Não é Positivo

Em operações de segurança, uma diminuição no número de incidentes pode parecer uma boa notícia, mas nem sempre é. Essa redução pode ser resultado de ajustes que diminuem alertas, perda de visibilidade ou monitoramento incompleto. Ferramentas como Splunk ou IBM QRadar podem passar por esse tipo de “otimização”, onde menos alertas são confundidos com mais segurança, quando na verdade pode significar menos detecção.

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Como as Métricas Influenciam o Comportamento

As métricas não apenas medem, mas também moldam comportamentos. Por exemplo, se a medição se concentra em vulnerabilidades fechadas, a tendência é priorizar o que é mais fácil. Se o foco é o tempo de resposta, pode haver uma pressão para fechar rapidamente, e se a conformidade é a prioridade, o objetivo se torna “passar na auditoria”. O resultado é previsível: os indicadores melhoram, mas o risco persiste.

O Risco Invisível nas Métricas

Um problema crítico é que, em muitas organizações, a mesma equipe que executa controles e opera processos também define e acompanha suas próprias métricas. Isso gera um conflito estrutural. No modelo de linhas de defesa, a primeira linha executa, a segunda deve monitorar e a terceira avaliar de forma independente. Quando essa separação é fraca, quem executa também define o que é considerado “bom desempenho”, levando a distorções nas métricas.

Casos Reais que Ilustram o Problema

Esse padrão é comum no mercado, onde empresas certificadas na ISO/IEC 27001 enfrentam incidentes significativos, como ataques de ransomware, mesmo com controles implementados. O problema não é a ausência de controle, mas a falta de visibilidade sobre o que realmente importa.

O Que Medir de Verdade

Métricas eficazes devem mudar o foco de volume para risco. Exemplos relevantes incluem tempo de detecção e contenção, exposição a vulnerabilidades críticas, cobertura de ativos essenciais e taxa de falha de controles. Essas métricas são mais úteis e não necessariamente mais complexas.

A Importância do Contexto

Nenhuma métrica deve ser analisada isoladamente. Um aumento no número de incidentes pode indicar uma melhor detecção, enquanto uma diminuição nas vulnerabilidades pode sinalizar perda de visibilidade. Sem contexto, as métricas podem contar histórias erradas, dando uma falsa sensação de precisão.

Conclusão

Métricas de segurança são poderosas, mas também perigosas. Elas podem criar uma falsa sensação de controle, distorcer decisões e ocultar riscos significativos. A maturidade em governança, risco e conformidade não está em medir mais, mas em medir melhor, com foco em risco, impacto e integridade da informação. No final, duas perguntas são fundamentais: “Estamos medindo as coisas certas?” e “Podemos confiar no que estamos medindo?”.

Fonte por: Its Show

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