“O brasileiro precisa reconhecer seu valor”, afirma vice-presidente da Ericsson

Edvaldo Santos se compromete a aprender inglês na Ericsson para provar seu valor e consolidar sua posição na empresa.

3 min de leitura
Edvaldo Santos, vice-presidente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. (Foto: Divulgação). Brasil

Edvaldo Santos, vice-presidente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. (Foto: Divulgação). Brasil

Superação e Liderança: A Trajetória de Edvaldo Santos na Ericsson

Edvaldo Santos, ao ingressar na Ericsson, enfrentou o desafio de não dominar o inglês, o que ele considerava uma “dívida a cumprir”. Determinado a provar seu valor, dedicou-se a aprender o idioma, encarando quase quatro anos de cursos intensivos como uma questão de honra. Essa determinação não apenas garantiu sua permanência na empresa, mas também moldou sua carreira, levando-o ao cargo de vice-presidente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.

Natural de Indaiatuba (SP), Santos transformou sua experiência de superação em um modelo de gestão. Sua missão atual é combater a “falta de autoestima” dos profissionais brasileiros, demonstrando que o país pode ser um polo de liderança tecnológica global, e não apenas um executor de demandas.

A Virada da Autoconfiança

A superação do idioma abriu portas, mas também revelou um problema cultural. Durante suas primeiras viagens à Suécia, Santos percebeu que, mesmo estando certo, muitas vezes recuava diante de profissionais da matriz. Ele reflete sobre a percepção de que “o importado é melhor que o nacional”, uma crença que busca desmistificar.

Atualmente, Santos combate a postura de profissionais que “entram mudos e saem calados” em reuniões internacionais. Sob sua liderança, a operação brasileira passou a comandar equipes multidisciplinares na Europa, incluindo Suécia, Hungria e Croácia, com o objetivo de mostrar que a competência técnica do brasileiro é equivalente à de qualquer outro profissional global.

Liderança pelo Exemplo

Para promover essa mudança de mentalidade, Santos investe na qualificação robusta. Ao contrário do mercado tradicional que valoriza MBAs, sua gestão prioriza mestrados e doutorados em ciências exatas. Ele defende que, em tempos de crise, o foco deve ser na profundidade técnica, não apenas na aparência do currículo.

O exemplo vem de sua própria prática: Santos frequenta a academia como aluno especial em disciplinas de inteligência artificial e robótica, buscando trazer conhecimento externo para dentro da empresa, um dos pilares de sua estratégia de inovação disruptiva.

Tecnologia com DNA Brasileiro

Um resultado prático dessa filosofia é o projeto Learning through Augmented Reality System (LARS), que combina inteligência artificial generativa e realidade aumentada para revolucionar treinamentos corporativos e acadêmicos. A aplicação utiliza assistência de voz baseada em IA para traduzir perguntas e buscar respostas em um repositório na nuvem, operando por meio de óculos leves e ergonômicos.

A tecnologia permite que os usuários tenham as mãos livres para operar ferramentas físicas enquanto consultam informações essenciais. Santos destaca que essa eficiência aumenta a produtividade e o engajamento dos alunos, que se sentem mais entusiasmados devido ao uso de tecnologias já consagradas na indústria de jogos online.

O desenvolvimento do LARS seguiu um modelo de inovação aberta, em parceria com o VIRTUS, núcleo de pesquisa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A estratégia de Santos para conectar a Ericsson à academia se estende a outras cinco universidades públicas e quatro institutos privados de ciência e tecnologia, com o objetivo de inovar disruptivamente e gerar riqueza para as empresas e para a nação.

Fonte por: It Forum

Sair da versão mobile