Desafios da Transformação Digital nas Empresas
A frase “O sistema está no ar” deveria ser motivo de celebração, mas muitas vezes marca o início de novos problemas. Após mais de vinte anos acompanhando projetos de transformação digital em diversos setores, percebo que, após a implementação, muitas empresas retornam a métodos tradicionais, como o uso de papel.
Esse fenômeno não é uma questão de azar, mas sim uma sequência de erros que se inicia antes da escolha da tecnologia.
O Ponto de Partida Errado
Empresas médias brasileiras frequentemente operam com processos adaptados ao mundo analógico. Essa realidade, que funcionou por décadas, se torna problemática quando a pressão competitiva leva à compra de tecnologia sem uma compreensão adequada dos processos existentes.
Modernizar um processo ineficiente não traz resultados positivos; ao contrário, apenas digitaliza os problemas. Já testemunhei a implementação de um ERP de alto custo que não resolveu gargalos operacionais, mas apenas os transformou em uma versão digital.
Purgatório dos Pilotos
O fenômeno conhecido como “purgatório dos pilotos” é caracterizado por projetos que possuem orçamento e equipe, mas que nunca se tornam operações reais. Dados de 2024 revelam que apenas 30% das grandes implementações tecnológicas cumprem prazos e orçamentos, enquanto 88% das transformações corporativas não alcançam suas metas.
Na prática, muitas empresas realizam testes que impressionam, mas não resultam em mudanças efetivas. O piloto não se transforma em operação porque não foi planejado para escalar, mas sim para impressionar.
A Sequência que Ninguém Segue
Um erro comum nas empresas não está na escolha da tecnologia, mas na ordem das decisões. Muitas vezes, a liderança decide a plataforma e o cronograma antes de envolver as equipes operacionais, que acabam se tornando coadjuvantes em um processo que impacta diretamente seu trabalho.
A sequência correta deve ser invertida: primeiro, entender onde o processo falha; em seguida, desenhar como ele deve funcionar digitalmente; e, por último, escolher a tecnologia. Essa abordagem garante que as necessidades operacionais sejam atendidas antes da implementação.
A Quarta-Feira de Cinzas
O go-live é frequentemente visto como um evento festivo, mas a realidade que se segue pode ser desastrosa. Sistemas que não são utilizados, processos que não são seguidos e relatórios que não são confiáveis são sinais claros de que o projeto falhou.
Um indicativo de que um projeto pode falhar é a incapacidade dos usuários de descrever como será seu trabalho após a implementação. Se a resposta for que tudo continuará igual, apenas em um novo sistema, a transformação não está ocorrendo.
O Que Separa Quem Avança
A diferença entre projetos que se tornam operações e aqueles que permanecem no purgatório não está no orçamento ou na tecnologia, mas na responsabilidade assumida pelos resultados. Projetos que têm um patrocinador comprometido com os resultados tendem a ter sucesso, enquanto aqueles que são apenas responsabilidade do TI frequentemente ficam apenas em apresentações.
A transformação eficaz começa antes da escolha da tecnologia, com a decisão de que o processo atual não é mais aceitável. É nesse ponto que a PotêncIA se destaca, atuando como parceira no diagnóstico e na preparação da organização para a mudança.
O verdadeiro desafio não começa no go-live, mas no momento em que a empresa decide investir em tecnologia sem antes entender suas necessidades.
Fonte por: Its Show
