O que aguardar do venture capital em 2026? Novas tendências e fundos

Venture capital pode passar por reconfiguração em 2026, com capital fluindo de forma mais seletiva e adaptada à nova realidade.

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KPMG, venture capital, investimento de risco, queda, diminuição

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Perspectivas do Venture Capital para 2026

A trajetória recente do venture capital indica que 2026 poderá ser um ano de reconfiguração e recuperação moderada. Em vez de um “boom” descontrolado, espera-se um ajuste pragmático, com investimentos fluindo de maneira mais seletiva e adaptada à nova realidade econômica e regulatória. De acordo com o relatório Venture Pulse Q2 2025 da KPMG, o volume global de investimentos em capital de risco alcançou US$ 101,05 bilhões no segundo trimestre de 2025, distribuídos em 7.356 rodadas. Embora esse valor seja inferior aos US$ 128,4 bilhões do primeiro trimestre, o mercado demonstra resiliência ao desconsiderar esse outlier.

Além disso, o financiamento global por venture capital no primeiro semestre de 2025 subiu para cerca de US$ 189,9 bilhões, em comparação aos US$ 152,2 bilhões do mesmo período de 2024, conforme levantamento da S&P Global Market Intelligence. Isso sugere que ainda há capital disponível, embora as escolhas sejam mais criteriosas.

Setores em Alta e Recuperação no Brasil

Uma tendência notável neste novo cenário é a concentração de investimentos em setores resilientes e com tendências estruturais, como inteligência artificial (IA), fintechs, defensetech e saúde. Segundo o relatório da KPMG, essas áreas lideraram em volume e relevância no segundo trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, mercados fora do núcleo tradicional, como o Brasil, estão mostrando sinais de recuperação. O país viu um aumento nos aportes de venture capital, passando de US$ 464 milhões no quarto trimestre de 2024 para US$ 562 milhões no primeiro trimestre de 2025.

No entanto, essa recuperação é acompanhada de uma maior seletividade por parte dos investidores, que buscam empreendimentos com modelos de negócios sólidos e foco em sustentabilidade operacional, especialmente em setores como fintechs, healthtechs, agtechs e insurtechs.

Otimismo Moderado na Europa

Na Europa, há um otimismo moderado em relação à capacidade de novos investimentos e à perspectiva de saídas. Uma pesquisa recente do European Investment Fund (EIF) revelou que gestores de fundos estão mais confiantes quanto à arrecadação de capital e ao ambiente para saídas, seja por meio da venda de participações ou da entrada de novos investidores.

Modernização Regulatório no Brasil

O Brasil está passando por um processo de modernização no setor de fundos, com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) implementando medidas desde 2022. Essas incluem a consolidação de normas pela Resolução 175 e a automação de auditorias, visando tornar o ambiente de fundos mais transparente e robusto. Essas mudanças podem elevar o custo de operação para pequenos gestores, mas favorecem aqueles com estruturas sólidas e compliance rigoroso.

Conclusão: O Futuro do Venture Capital

Em resumo, 2026 promete ser um ano de maturação e seleção no venture capital, com um volume absoluto menor do que em ciclos anteriores, mas com capital mais direcionado e fundos mais consolidados. Para empreendedores, isso significa que não basta ter uma boa ideia; será necessário demonstrar disciplina, clareza operacional e eficiência na conversão de capital em resultados. Startups com métricas claras e governança sólida terão mais chances de captar recursos, enquanto aquelas que se baseiam apenas em promessas podem enfrentar dificuldades.

Fonte por: It Forum

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