ONU revela que mais de 300 mil pessoas de 66 países são escravizadas no cibercrime
Relatório revela que vítimas de fraudes online são forçadas a gerar até R$ 50 mil diariamente.
Relatório da ONU Revela Abusos em Golpes Cibernéticos
O escritório da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou um relatório alarmante sobre a persistência de práticas de tráfico de pessoas, servidão e escravidão em operações de golpes cibernéticos, especialmente no Sudeste Asiático. O documento destaca que essas atividades criminosas estão entre as que mais crescem globalmente, envolvendo o recrutamento e a exploração de indivíduos forçados a cometer fraudes online sob ameaça e coerção.
Impacto do Tráfico de Pessoas em Golpes Online
Estima-se que mais de 300 mil pessoas de pelo menos 66 países tenham sido traficadas para centros de golpes, muitos dos quais abrigam milhares de trabalhadores. O relatório, baseado em entrevistas com sobreviventes de diversas nacionalidades, revela que esses indivíduos enfrentaram condições alarmantes, sendo forçados a realizar fraudes com criptomoedas, esquemas de romance e extorsão online.
Condições Desumanas e Violência
Os relatos dos sobreviventes são chocantes, com jornadas de trabalho que chegam a 19 horas diárias e metas financeiras impostas sob ameaça de violência. Um sobrevivente da Tailândia mencionou que era exigido gerar 300 mil baht por dia (aproximadamente R$ 50 mil) para evitar punições severas. Além disso, muitos enfrentaram castigos físicos, como longos períodos em “prisões de água” para aqueles que não atingiam as metas estabelecidas.
Recrutamento e Vulnerabilidade
A análise do relatório também investiga as razões por trás do recrutamento contínuo, mesmo após alertas internacionais. Quase 75% das vítimas foram abordadas por pessoas de confiança, como amigos ou familiares, enquanto outras foram atraídas por ofertas que pareciam legítimas nas redes sociais. A pesquisa revelou que 79% dos sobreviventes não tinham conhecimento sobre a existência desses complexos antes de serem traficados.
Consequências e Desafios Pós-Libertação
Mesmo após a libertação, muitos sobreviventes enfrentam penalidades legais, com 68% deles relatando detenções e acusações relacionadas às atividades fraudulentas que foram forçados a realizar. Embora normas internacionais proíbam a responsabilização de vítimas por crimes resultantes do tráfico, muitos não têm acesso a processos adequados de identificação.
Além das consequências legais, os sobreviventes também enfrentam sérios impactos físicos e psicológicos, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Apesar das dificuldades, 70% deles expressaram o desejo de migrar novamente em busca de trabalho, evidenciando a complexidade da situação enfrentada por essas vítimas.
O relatório também destaca a corrupção e a impunidade que perpetuam essas operações, sugerindo que a conivência oficial é um fator que permite a continuidade dessas práticas criminosas. Restrições ao espaço cívico e a repressão a jornalistas independentes dificultam investigações sobre o tema.
Fonte por: Convergencia Digital
Autor(a):
Redação
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