FAPESP Lança Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100
A FAPESP anunciou a criação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100 (CCD SB100), uma plataforma de inteligência artificial generativa focada no agronegócio brasileiro. Este projeto, desenvolvido em colaboração com instituições como o Instituto Agronômico (IAC), USP/Esalq, Unesp e Fatecs de Pompeia e Cotia, conta com um investimento de R$ 20 milhões e terá duração de cinco anos. O objetivo é transformar dados científicos do setor agrícola em recomendações personalizadas e alertar sobre questões de governança de dados e cibersegurança para executivos de TI.
O que é o Smart B100 e como a tecnologia funciona
O projeto é liderado pelo pesquisador Dirceu Mattos Jr. e envolve várias instituições, incluindo a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O Smart B100 é uma das 21 iniciativas lançadas pela FAPESP, parte de um investimento total de aproximadamente R$ 130 milhões para novos Centros de Ciência no Estado de São Paulo.
A base do sistema é o Boletim 100 do IAC, que fornece orientações sobre adubação e calagem do solo há mais de 40 anos. A edição de 2022 foi elaborada por mais de 127 especialistas e abrange recomendações para mais de 130 culturas. Todo esse conhecimento será processado em um modelo de linguagem, formando o núcleo da plataforma.
O SB100 será estruturado em cinco áreas principais: curadoria de dados, desenvolvimento do modelo de linguagem, modelagem do Living Lab, comunicação em gestão integrada e mobilização e divulgação. Inicialmente, o foco será em citros e cana-de-açúcar, com planos de expansão para soja e outras culturas, integrando dados sobre saúde do solo e recomendações sobre fertilizantes.
Impacto direto para TI: LLMs verticais e ciência de dados aplicada
O Smart B100 representa uma tendência importante para executivos de TI: a verticalização dos modelos de IA generativa. Enquanto ferramentas como o ChatGPT oferecem conhecimento generalista, o SB100 é treinado para domínios específicos, aumentando a precisão, mas também a complexidade de governança.
As Fatecs de Pompeia e Cotia serão responsáveis pela construção do núcleo de IA da plataforma, exigindo profissionais com habilidades em sistemas inteligentes, engenharia de software e ciência de dados. O projeto envolve 30 pesquisadores diretamente e centenas de forma indireta, com uma rede de aproximadamente 170 laboratórios de análise de solos em São Paulo, que fornecerão dados para o modelo.
Cibersegurança e governança: os alertas que não podem ser ignorados
O projeto reconhece riscos significativos, como a possibilidade de fake news e dados contaminados afetarem o modelo de IA generativa, resultando em recomendações erradas. Em um setor onde uma recomendação equivocada pode comprometer safras e gerar perdas financeiras, a integridade dos dados é crucial.
Para os executivos de cibersegurança, isso implica em requisitos rigorosos, como autenticação de fontes científicas, controles de acesso e monitoramento contínuo de anomalias. Além disso, a plataforma SB100 poderá ser consultada pelo setor bancário para decisões de financiamento agrícola, o que exige conformidade com regulamentos e proteção de dados sensíveis.
O Smart B100 é um indicativo dos desafios que líderes de TI e segurança enfrentarão à medida que modelos de IA generativa se expandem em setores críticos da economia brasileira. Ignorar essa tendência não é uma opção para organizações que dependem de dados confiáveis.
Fonte por: Its Show
