Prontuário universal tem potencial para transformar a saúde no Brasil
Dia Mundial da Saúde: Brasil avança na digitalização e reestruturação da saúde com o “Open Finance da saúde” em 2026.
Dia Mundial da Saúde e a Digitalização do Sistema de Saúde Brasileiro
No dia 7 de abril, celebra-se o Dia Mundial da Saúde no Brasil, um momento que coincide com a transformação digital do setor. Em 2026, espera-se que a saúde brasileira esteja mais integrada, com a implementação do que muitos chamam de “Open Finance da saúde“.
A proposta é criar um histórico clínico digital e unificado, onde os dados acompanham o cidadão, não as instituições. O intuito é reduzir a burocracia para pacientes, médicos e instituições, além de facilitar a coleta de dados para pesquisas e políticas públicas.
Entretanto, a implementação dessa ideia enfrenta desafios devido à maturidade digital ainda incipiente do sistema de saúde brasileiro. O aplicativo “Meu SUS digital”, que já conta com mais de 50 milhões de downloads, revela um ecossistema de interoperabilidade que ainda precisa evoluir.
A Propriedade dos Dados Clínicos
A mudança de paradigma nesse novo modelo de saúde não é apenas técnica, mas também jurídica e filosófica. O foco está na afirmação de que o paciente é o verdadeiro proprietário de sua jornada de saúde. Para que o prontuário único funcione, as instituições devem estabelecer uma proteção robusta dos dados, centralizando-os mais do que nunca. Segundo Alex Vieira, CIO do HCOR, “o grande centralizador para que isso funcione é o próprio paciente”.
Contudo, a gestão desses dados enfrenta a realidade de uma infraestrutura desatualizada. Vieira ressalta que ter dados na nuvem não é suficiente se a mentalidade ainda é analógica. Ele observa que, apesar de o Brasil dispor de tecnologias avançadas, falta uma capacidade organizacional para uma implementação eficaz.
O Dr. Pedro Batista Junior, cirurgião e presidente da PMJ Holding, complementa que dados isolados não são suficientes para a cura. Ele enfatiza que ferramentas de suporte à decisão clínica precisam de um banco de dados estruturado e confiável para serem eficazes.
Prontuário Unificado como Estratégia de Negócio
O conceito de saúde unificada visa promover um compartilhamento transparente de informações, aumentando a eficiência e reduzindo custos, evitando a duplicidade de exames que sobrecarrega o SUS e os convênios. O desafio para 2026 é equilibrar essa transparência com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo que os dados não resultem em discriminação de pacientes.
No HCOR, a estratégia busca inverter o modelo assistencial. Vieira afirma que “não somos apenas uma área da saúde, mas da doença”, destacando que o objetivo é cuidar da saúde das pessoas antes que elas adoeçam. Nesse contexto, os dados se tornam ferramentas preditivas.
Rafael Figueroa, CEO do Portal Telemedicina, acredita que o avanço do prontuário universal beneficiará as organizações de saúde na forma como tratam os pacientes, promovendo uma jornada de cuidado contínua.
Inteligência Artificial no Sistema de Saúde
A inteligência artificial (IA) é vista como essencial para lidar com o grande volume de informações da rede nacional de dados em saúde (RNDS). Ela transforma o histórico de milhões de pacientes em padrões de cuidado personalizados. O consenso é que a IA não substitui médicos, mas atua como um facilitador para a saúde preditiva.
Vieira destaca que isso requer uma mudança no perfil dos profissionais de tecnologia, que devem ser capazes de traduzir a realidade digital para aqueles que não a compreendem. O Dr. Batista Junior acrescenta que a IA não é apenas um suporte, mas uma forma de otimizar o trabalho dos médicos, melhorando sua saúde mental e eficiência.
Democratização da Saúde e o SUS
No setor público, a tecnologia é uma ferramenta crucial para promover a equidade. Com um investimento federal de R$ 464 milhões, o objetivo é levar especialistas até os pacientes. Figueroa vê o SUS como o motor dessa transformação, permitindo que a tecnologia não seja elitizada e que os usuários se tornem protagonistas da mudança.
Ele defende que a integração entre diferentes camadas do sistema possibilita uma jornada de cuidado contínua, que se inicia na infância e se estende ao longo da vida, facilitando pesquisas e análises de dados. O impacto geográfico dessa abordagem é significativo, permitindo que populações antes negligenciadas, como crianças do sertão nordestino, tenham acesso a cuidados nutricionais.
Entretanto, Figueroa alerta para a resistência cultural em relação ao SUS. A mudança de mentalidade ocorre quando as pessoas experimentam a saúde digital e percebem sua eficácia. Vieira, por sua vez, destaca a necessidade de avançar na maturidade digital, pois ainda existem desafios como a falta de acesso à internet e dispositivos móveis.
O Dr. Batista Junior conclui que o conceito de prontuário único deve ser entendido como uma ideia que permite a troca segura de informações ao longo da cadeia de saúde, proporcionando um suporte mais eficaz ao cuidado dos pacientes.
Fonte por: It Forum
Autor(a):
Redação
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