A Importância da Soberania Digital no Brasil
A transformação digital tem tornado o mundo mais rápido e conectado, mas também expõe a vulnerabilidade das infraestruturas tecnológicas. A dependência de poucos provedores globais levanta a questão: qual é a sua segunda opção de nuvem? Essa reflexão é crucial para avaliar a maturidade tecnológica de organizações e países.
Ter uma segunda nuvem não é apenas uma questão de redundância, mas uma estratégia essencial. De acordo com o relatório State of the Cloud 2024 da Flexera, 89% das organizações já utilizam múltiplas nuvens públicas, um aumento em relação ao ano anterior. No Brasil, essa tendência é impulsionada pela necessidade de resiliência e continuidade, permitindo que as empresas operem mesmo diante de falhas e otimizem custos e segurança.
O Conceito de Soberania Digital
A soberania digital surge da necessidade de um país controlar não apenas os dados que produz, mas também as tecnologias e profissionais que os gerenciam. Isso envolve a criação de infraestruturas nacionais que garantam autonomia operacional e a formação de especialistas locais, além de estabelecer regras de governança e transparência.
Construir soberania digital requer mais do que infraestrutura; é necessário investir em conhecimento. Um estudo da Brasscom revela que, entre 2019 e 2024, o Brasil precisou de cerca de 665 mil profissionais de tecnologia, mas formou menos de 465 mil. Essa lacuna de talentos destaca a importância da educação para a independência tecnológica.
A Formação de Especialistas e Inovação
A capacitação de profissionais é fundamental para uma nova forma de soberania, que vai além do armazenamento de dados. Um país soberano é aquele que não apenas armazena informações, mas também as compreende e cria soluções inovadoras a partir delas. O desenvolvimento de inteligência artificial com dados locais permite que as instituições se tornem protagonistas na inovação.
Desafios Energéticos e Sustentabilidade
A infraestrutura digital deve ser alinhada aos desafios energéticos atuais. O consumo global de data centers, que foi de 460 TWh em 2022, pode chegar a 1.050 TWh até 2026, conforme aponta um relatório da Anatel. O Brasil, com 85% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, está em uma posição privilegiada para desenvolver centros de dados sustentáveis.
Confiança e Autonomia no Cenário Digital
A soberania digital não se limita à localização dos dados, mas envolve a proteção deles por leis nacionais. Em um mundo onde legislações estrangeiras podem acessar informações, manter os dados sob jurisdição local é um ato de autonomia. A confiança nas soluções digitais depende da certeza de que o país controla suas infraestruturas de informação.
O Brasil está em um momento crucial, ampliando a adoção de múltiplas nuvens e fortalecendo sua infraestrutura soberana. Essa combinação de diversidade tecnológica e autonomia nacional molda um novo pacto digital para o país, garantindo que dados estratégicos permaneçam protegidos.
A questão sobre a segunda opção de nuvem vai além de uma simples escolha técnica; é uma reflexão sobre responsabilidade e futuro. Ter uma segunda nuvem é assumir o controle do próprio destino tecnológico, assegurando continuidade, autonomia e confiança, pilares fundamentais para o desenvolvimento nacional.
Fonte por: It Forum
