São Paulo e União Europeia estabelecem parceria para o EUDR

SP e União Europeia selam parceria para EUDR; descubra como isso afeta TI e cibersegurança no agronegócio.

08/05/2026 11:50

4 min

São Paulo e União Europeia estabelecem parceria para o EUDR
(Imagem de reprodução da internet).

Parceria entre São Paulo e União Europeia para atender ao EUDR

O Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, estabeleceu uma colaboração com o programa AL-INVEST Verde da União Europeia. O objetivo é preparar os produtores rurais paulistas para as exigências do EUDR, regulamento europeu que visa combater o desmatamento, exigindo rastreabilidade geográfica e conformidade ambiental para sete commodities agrícolas exportadas para a UE. Essa parceria gera uma demanda significativa por soluções de tecnologia da informação, como plataformas geoespaciais, inteligência artificial, blockchain e computação em nuvem, voltadas para o agronegócio.

Através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, do Instituto de Economia Agrícola e da APTA, a colaboração entre São Paulo e a União Europeia busca garantir que as commodities agrícolas brasileiras exportadas para o mercado europeu estejam em conformidade com a legislação, que proíbe a importação de produtos provenientes de áreas desmatadas após dezembro de 2020. O foco é promover transparência e controle rigoroso nas cadeias produtivas de produtos como soja, carne bovina, café e cacau.

São Paulo no centro do regulamento europeu

O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) foi criado para combater as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade associadas ao desmatamento. A legislação exige que todos os produtos comercializados na União Europeia tenham rastreabilidade precisa, garantindo que sua origem não esteja ligada a desmatamento recente ou ilegal.

Como um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, o Brasil precisa se adaptar a essas exigências para manter sua competitividade no mercado europeu. São Paulo é o único estado brasileiro que produz as sete commodities abrangidas pelo regulamento, o que coloca o estado em uma posição privilegiada para atender às demandas de conformidade e explorar novas oportunidades de negócios no setor de tecnologia.

Em 2025, a União Europeia foi o segundo maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, absorvendo 14,9% do total exportado, equivalente a US$ 25,2 bilhões. Estima-se que 65% dos produtos exportados pelo Brasil para a UE estarão sujeitos ao EUDR, representando cerca de 10% de todas as exportações brasileiras. O prazo para conformidade já está em andamento, com grandes e médias empresas precisando se adequar até 30 de dezembro de 2025, enquanto micro e pequenas empresas têm até 30 de dezembro de 2026.

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Exigências tecnológicas do EUDR

O EUDR exige rastreabilidade geográfica precisa, comprovação de conformidade ambiental e due diligence documental em toda a cadeia produtiva. Isso implica que cada lote exportado deve ter coordenadas GPS vinculadas à propriedade de origem, cruzadas com bases de dados de desmatamento, como o PRODES e o CAR.

Para atender a essas exigências em larga escala, o mercado demanda um conjunto robusto de soluções digitais. Plataformas de rastreabilidade geoespacial, integradas ao EUDR Information System da Comissão Europeia, são fundamentais. Além disso, sistemas ERP, monitoramento contínuo por satélite, uso de inteligência artificial e blockchain são essenciais para garantir a auditabilidade e a imutabilidade dos registros.

A computação em nuvem com processamento descentralizado também é crucial, especialmente para conectar pequenos produtores em regiões com infraestrutura limitada. A interoperabilidade entre sistemas heterogêneos, como CAR, PRODES e ERPs privados, representa um desafio técnico significativo.

Rotas Rurais: um modelo inovador

A parceria destaca o programa Rotas Rurais, que criou um sistema de endereçamento rural digital integrado ao Google Maps, permitindo a identificação precisa das propriedades rurais em São Paulo. Essa iniciativa visa integrar as Rotas Rurais a outras iniciativas de rastreabilidade, mapear municípios expostos às exigências do EUDR e ampliar o alcance a pequenos e médios produtores.

O programa também prevê campanhas de capacitação técnica e comunicação sobre conformidade regulatória. Para as empresas de TI, a gestão de identidade digital de propriedades rurais representa um nicho emergente, com potencial para expansão em outros estados e no mercado privado de compliance agrícola.

Oportunidades para o setor de TI e cibersegurança

A intersecção entre a regulação europeia e a digitalização do agronegócio cria um importante vetor de crescimento para empresas de tecnologia B2B. O mercado de AgTech, focado em rastreabilidade e georreferenciamento, agora possui um driver regulatório claro e prazos definidos. Informações geoespaciais e dados de conformidade ambiental são ativos sensíveis que requerem proteção robusta contra vazamentos e manipulação, impactando a cibersegurança.

Além disso, a digitalização do compliance regulatório, consultorias e plataformas SaaS que automatizam a geração de relatórios de due diligence são áreas em crescimento. A Comissão Europeia estima que a simplificação do sistema de due diligence pode reduzir em até 30% os custos administrativos das empresas, criando espaço para soluções que ofereçam essa eficiência.

A integração de sistemas legados com novas plataformas de rastreabilidade também é um ponto crítico. Cooperativas e grandes tradings agrícolas que utilizam ERPs consolidados precisam de camadas de integração para se conectar aos sistemas europeus, representando uma oportunidade significativa para integradores e desenvolvedores especializados.

Fonte por: Its Show

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