SecOps Summit 2026: Computação quântica impõe urgência em segurança empresarial

Preparação para a Criptografia Pós-Quântica nas Empresas
No evento Itshow on the Road, Marcio Montagnani entrevistou Wolmer Godoi, especialista em computação quântica e segurança pós-quântica. A discussão abordou a urgência de as empresas se prepararem para um futuro em que a criptografia atual pode se tornar obsoleta devido ao avanço dos computadores quânticos. A conversa, realizada durante o SecOps Summit 2026 em Porto Alegre, destacou a importância de integrar a segurança digital na estratégia corporativa.
Wolmer enfatiza que a computação quântica não deve ser vista como uma tecnologia distante. Em vez de substituir os computadores tradicionais, ela se destina a resolver problemas complexos em áreas como inteligência artificial e matemática aplicada. A maior preocupação para a cibersegurança reside na capacidade dos computadores quânticos de quebrar padrões criptográficos amplamente utilizados.
A Criptografia como Base da Confiança Digital
Durante a entrevista, Wolmer ressaltou que a criptografia é fundamental para a confiança nas transações digitais. Essa proteção é essencial para a operação de bancos, aplicativos e sistemas corporativos. Se a segurança criptográfica for comprometida, as consequências vão além da tecnologia, afetando a reputação e a continuidade dos negócios.
Essa perspectiva ajuda a reposicionar a segurança pós-quântica como uma questão de negócios, não apenas técnica. A ameaça não será percebida apenas quando um computador quântico for capaz de romper a criptografia, mas também antes, quando as empresas perceberem que não têm tempo suficiente para se adaptar.
Tempo de Migração da Criptografia
Wolmer destacou que a migração completa da criptografia em uma empresa de médio porte pode levar de 15 a 20 anos. Ele alerta que a viabilidade da quebra de modelos criptográficos atuais por computadores quânticos pode ocorrer entre 2030 e 2035. Portanto, muitas empresas podem estar atrasadas se esperarem pela maturidade do problema.
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Os líderes de segurança, como CISOs e CIOs, devem iniciar imediatamente um inventário criptográfico e entender as dependências internas. É crucial identificar onde a criptografia está aplicada e quais ativos exigem proteção imediata.
Governança Criptográfica nas Organizações
Wolmer também abordou a fragmentação histórica da gestão da criptografia nas empresas. A falta de uma governança formal pode dificultar a migração e a escolha de novos algoritmos. As organizações precisam ter uma visão clara do tempo de validade das chaves e da criticidade dos dados, além de considerar as exigências regulatórias e a capacidade da infraestrutura.
A segurança pós-quântica requer uma abordagem disciplinada e não pode ser resolvida apenas com a compra de novas tecnologias.
Desafios de Infraestrutura e Telecomunicações
A adoção de criptografia pós-quântica pode aumentar os custos operacionais, pois esses algoritmos exigem mais processamento e largura de banda. Wolmer citou o exemplo do iMessage, que, ao implementar criptografia pós-quântica, aumentou a frequência de troca de chaves, elevando o consumo de recursos.
No Brasil, a infraestrutura de telecomunicações ainda não está preparada para essa transição em larga escala. Isso significa que a segurança pós-quântica afetará não apenas os CISOs, mas também as operações, redes e decisões de investimento em tecnologia.
O Papel do CISO na Transição para a Segurança Quântica
Wolmer concluiu que a jornada para se tornar “quantum safe” vai além do escopo de um CISO ou CIO. O líder de segurança deve introduzir o tema, traduzir a necessidade para a organização e construir uma narrativa de risco que envolva todas as áreas. Isso inclui educar a alta gestão sobre a importância da confiança da marca e a proteção das relações com os usuários.
Fonte por: Its Show
Autor(a):
Redação
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