USP inaugura fábrica de semicondutores com conceito sob demanda

PocketFab oferece infraestrutura portátil e reconfigurável, voltada para produção em lotes, com capacidade de 10 milhões de componentes anuais.

30/01/2026 17:50

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(Imagem de reprodução da internet).

USP Lança Fábrica de Semicondutores PocketFab

A Universidade de São Paulo (USP) inaugurou a PocketFab, uma fábrica de semicondutores inovadora no Brasil. Este projeto, resultado de uma colaboração entre a USP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo, visa integrar pesquisa avançada à produção industrial, com apoio de diversas entidades do setor produtivo.

Características da PocketFab

Diferente das grandes fábricas de chips que demandam investimentos bilionários, a PocketFab foi projetada como uma infraestrutura compacta e modular. Essa abordagem permite a produção em lotes e a adaptação a aplicações específicas, com o intuito de acelerar a inovação e facilitar o acesso à manufatura avançada de semicondutores, contribuindo para a soberania tecnológica do Brasil.

Capacidade e Processos

A PocketFab terá uma capacidade produtiva estimada em até 10 milhões de componentes anualmente, abrangendo todas as etapas do processo de fabricação, desde o design de chips, liderado pela USP, até a validação e aplicação industrial, sob a supervisão do Senai-SP. Em um contexto global de instabilidade nas cadeias de suprimento, a fábrica se apresenta como uma solução estratégica para atender às demandas específicas da indústria nacional, especialmente em setores que dependem de semicondutores.

Setores Beneficiados

Entre os setores que poderão se beneficiar da PocketFab estão:

  • Setor automotivo, com chips para sistemas avançados de assistência ao motorista.
  • Indústria de máquinas e equipamentos, com sensores inteligentes para automação e manutenção preditiva.
  • Área de saúde, com semicondutores para dispositivos de diagnóstico e monitoramento médico adaptados à realidade brasileira.

Importância da Iniciativa

Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, destacou a urgência dessa iniciativa, considerando o aumento da demanda por componentes eletrônicos devido à expansão de tecnologias digitais e inteligência artificial. Ele observou que a pandemia acentuou as oscilações no fornecimento de semicondutores, especialmente nos setores automotivo e de armazenamento de dados, devido à concentração da produção no leste asiático.

Na visão de Barbato, a PocketFab será crucial para o setor eletroeletrônico e para a reindustrialização do Brasil, evidenciando que a colaboração entre academia, indústria e políticas públicas é essencial para aumentar a independência tecnológica e agregar valor ao país.

Compromisso da USP com a Inovação

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, enfatizou a responsabilidade da universidade em liderar investimentos em pesquisa que impactem o desenvolvimento econômico e social. Ele ressaltou que a PocketFab não substitui a pesquisa básica, mas amplia a capacidade da instituição de atender às demandas contemporâneas por inovação aplicada e infraestrutura tecnológica avançada.

Marcelo Zuffo, coordenador do Centro de Inovação InovaUSP, afirmou que o projeto representa uma mudança significativa na fabricação de semicondutores, com a fábrica ocupando cerca de 200 metros quadrados e equipada com tecnologia de alta precisão, permitindo rápida adaptação a diferentes projetos e necessidades industriais.

Fonte por: Convergencia Digital

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