A industrialização do cibercrime pede uma resposta coletiva mais eficaz no Brasil

Transformação do Cibercrime no Brasil
Nos últimos anos, a percepção sobre hackers mudou drasticamente. A imagem de jovens isolados em quartos foi substituída pela realidade de um cibercrime que se tornou uma indústria global, estruturada e lucrativa. O Brasil, em particular, exemplifica essa transformação, sendo alvo de mais de 314 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos apenas no primeiro semestre de 2025, representando 84% das investidas na América Latina.
Esse aumento no volume de ataques não é apenas resultado da digitalização, mas também da industrialização do cibercrime. O modelo “Cybercrime as a Service” permite que ataques sejam comercializados como serviços, facilitando o acesso a ferramentas como ransomware e phishing na dark web. Como consequência, as organizações brasileiras enfrentam, em média, 3.520 ataques por semana, um número alarmante que coloca o país entre os líderes mundiais em ataques de ransomware e detecções de malware.
Desafios e Oportunidades na Cibersegurança
A inteligência artificial está intensificando os desafios enfrentados pelas empresas. Com a capacidade de automatizar ataques e identificar vulnerabilidades rapidamente, os criminosos estão se tornando mais eficientes. O Brasil, com sua alta digitalização financeira e a adoção de sistemas como o Pix, apresenta um ambiente propício para esses ataques, onde a segurança ainda está em desenvolvimento.
Para combater o cibercrime, é essencial uma atuação coordenada entre o setor privado, governo, academia e órgãos reguladores. O Brasil já avançou com a criação da Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber 2025) e do Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber), que buscam integrar esforços e fortalecer a governança digital.
Avanços e Desafios na Governança Digital
A E-Ciber 2025 estabelece diretrizes para promover a resiliência digital e a integração entre os diversos atores do ecossistema. No entanto, ainda existem lacunas significativas na maturidade e execução das políticas de cibersegurança. A falta de padronização nos requisitos de segurança e a aplicação desigual das diretrizes dificultam a proteção eficaz, especialmente para pequenas e médias empresas.
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A colaboração entre empresas e governo tem melhorado, mas ainda é necessário desenvolver uma cultura de prevenção e compartilhamento de informações. Muitas organizações ainda operam de forma reativa, o que pode ser insuficiente diante da escalabilidade dos ataques.
Preparação e Investimento em Cibersegurança
Para enfrentar os desafios do cibercrime, as organizações precisam evoluir rapidamente, incorporando inteligência artificial e automação em suas estratégias de defesa. A segurança deve ser vista como uma prioridade estratégica, não apenas como um centro de custos. A construção de um ambiente digital seguro requer cooperação entre governo, setor privado e sociedade.
Além disso, é fundamental mudar a percepção sobre cibersegurança no Brasil. Em um cenário onde os ataques são frequentes e os prejuízos financeiros são altos, a segurança digital deve ser encarada como um investimento essencial para a continuidade dos negócios e a proteção da economia.
Portanto, a questão não é se uma organização será atacada, mas sim quão preparada ela estará para resistir e se recuperar diante de um ataque cibernético.
Fonte por: It Forum
Autor(a):
Redação
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