Gerente de RH afirma que treinamento de IA sem infraestrutura não sustenta mudanças

Jemima Freitas aponta que a dificuldade das empresas na adoção de inteligência artificial é estrutural, não tecnológica, durante o IT Forum Na Mata.

30/06/2026 13:10

3 min

Jemima Freitas, gerente de Gente & Gestão no Itaqui. Imagem: PlayP Brasil/IT Forum
Jemima Freitas, gerente de Gente & Gestão no Itaqui. Imagem: Pla...

Adoção de Inteligência Artificial nas Empresas

A implementação de inteligência artificial (IA) nas empresas enfrenta desafios estruturais, e não tecnológicos. Essa afirmação foi feita por Jemima Freitas, gerente de Gente & Gestão do Itaqui, durante o IT Forum Na Mata, realizado em Itapevi, SP. Segundo ela, o verdadeiro obstáculo reside na falta de uma infraestrutura organizacional que permita a integração de novas práticas no cotidiano das equipes.

Jemima destacou que a adoção da IA envolve não apenas a tecnologia, mas também a cultura, processos e espaços de diálogo dentro da organização. Sem esses elementos, os programas de capacitação não conseguem se expandir ou promover mudanças efetivas.

Durante sua apresentação, intitulada “Sapata: base da mudança”, ela enfatizou que a estratégia de desenvolvimento de pessoas falha quando se limita a treinar indivíduos sem considerar a infraestrutura necessária para aplicar o aprendizado. A metáfora da sapata, que sustenta a estrutura de um edifício, ilustra a importância de ter uma base sólida para que as mudanças sejam sustentáveis.

Desafios na Estratégia de Recursos Humanos

Jemima iniciou sua apresentação com uma dinâmica que convidou os participantes a refletirem sobre iniciativas de recursos humanos que não alcançaram os resultados esperados. As respostas variaram, mas todas apontaram para um padrão comum: a maioria das iniciativas de RH foca no desenvolvimento individual, sem abordar as crenças e estruturas que influenciam o comportamento das pessoas.

Ela argumentou que, ao começar a estratégia pelo resultado desejado e pular a análise das crenças e pressupostos que moldam as práticas atuais, as organizações perdem a oportunidade de transformar efetivamente seus processos. Para fundamentar sua argumentação, recorreu à Teoria U de Otto Scharmer, que sugere que intervenções nas estruturas são essenciais para sustentar mudanças de comportamento e resultados.

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Infraestrutura Ampla e Transformação Digital

Jemima ampliou o conceito de infraestrutura, incluindo não apenas a tecnologia, mas também aspectos como layout físico, processos, governança e canais de comunicação. Ela citou um exemplo de uma fábrica onde a falta de comunicação entre líderes de produção era agravada pelo ambiente físico, evidenciando que a infraestrutura deve apoiar os valores organizacionais.

Esse cenário é semelhante ao que ocorre em muitas organizações que investem em tecnologia sem reestruturar seus processos e cultura de decisão, resultando em falhas na transformação digital.

Histórico e Futuro do RH

Para contextualizar a discussão, Jemima revisitou as principais demandas do mercado para a área de recursos humanos desde 2008. O foco inicial estava em significado e propósito, evoluindo para a valorização de soft skills e, mais recentemente, para a saúde mental e a adaptação organizacional. Em 2023, a questão central passou a ser como as organizações podem aumentar sua capacidade de adaptação em um ambiente em rápida mudança.

Ela enfatizou que a solução não está em formar indivíduos mais adaptáveis, mas em construir organizações que possam se adaptar coletivamente, pois a capacidade organizacional é o que realmente escala.

O Papel do RH na Era da Inteligência Artificial

Jemima concluiu sua apresentação com uma reflexão sobre o papel do RH em um cenário onde a inteligência artificial e a complexidade do ambiente de trabalho estão em constante evolução. Para que a área de pessoas possa contribuir efetivamente, é necessário desaprender práticas antigas e adotar uma abordagem mais estratégica e consciente.

Ela citou Alvin Toffler, ressaltando que o verdadeiro desafio do século XXI é aprender, desaprender e reaprender. A mudança deve ser intencional, pois estratégias e culturas deixadas ao acaso tendem a se desenvolver de maneira aleatória.

Fonte por: It Forum

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