Agricultura de precisão no nordeste impulsiona negócios em TI e cibersegurança

Transformação Digital no Agronegócio Nordestino
O agronegócio no Nordeste do Brasil está passando por uma revolução tecnológica, com um crescimento significativo no número de agtechs. De acordo com o estudo “Radar Agtech Brasil 2025”, realizado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, a região viu um aumento de 15,5% no número de empresas, passando de 116 para 134. Esse crescimento é três vezes superior à média nacional de 5%, indicando um potencial promissor para o setor de tecnologia.
Um Ecossistema em Expansão, mas Ainda Desigual
Apesar do crescimento, o Nordeste enfrenta um paradoxo: enquanto abriga 15,9% dos ambientes de inovação agropecuária do Brasil, responde por apenas 6,5% das 2.075 agtechs mapeadas no país. Essa discrepância sugere que há espaço para expansão e desenvolvimento. Os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará lideram a região, concentrando mais de 60% das agtechs e, consequentemente, a maior demanda por soluções tecnológicas.
A adoção de drones exemplifica essa transformação. Em 2024, o Brasil registrou mais de 5 mil drones agrícolas, um aumento de 375% em relação a 2022. No Nordeste, culturas como cana-de-açúcar e frutas tropicais estão na vanguarda dessa tecnologia, permitindo que pequenos e médios produtores aumentem sua eficiência sem elevar os custos operacionais.
Demandas Tecnológicas no Campo
A agricultura de precisão requer uma infraestrutura tecnológica sólida, o que representa uma oportunidade para empresas de TI. Atualmente, apenas 41% dos produtores nordestinos utilizam softwares de gestão, em comparação com 80% no Centro-Oeste. Essa lacuna destaca a necessidade de melhorias em conectividade rural, como redes 4G e 5G, além de soluções de IoT.
Além disso, a crescente quantidade de dados gerados por drones e sensores demanda sistemas de análise e integração com ERPs. O mercado global de agricultura de precisão deve atingir US$ 43,4 bilhões, com uma parte significativa desse valor relacionada a software e serviços gerenciados. A inteligência artificial também se destaca, com 83% das agtechs brasileiras utilizando essa tecnologia em seus processos.
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Cibersegurança: Um Elo Crítico no Agronegócio
A crescente digitalização do agronegócio traz riscos significativos, como ataques a plataformas de gestão agrícola que podem comprometer toda a cadeia de abastecimento. A proteção dessas infraestruturas é tão essencial quanto a segurança em ambientes industriais. No entanto, apenas 39% dos agricultores globalmente adotaram serviços tecnológicos, o que evidencia a falta de uma cultura de segurança no setor.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028 prevê investimentos de R$ 85 milhões para o desenvolvimento tecnológico no agronegócio, o que pode estimular aportes privados e aumentar a necessidade de proteção digital.
Capacitação: Oportunidade em Meio ao Desafio
A escassez de mão de obra qualificada em análise de dados e automação é um desafio significativo para o agronegócio nordestino. No entanto, essa lacuna representa uma oportunidade para empresas de tecnologia que oferecem treinamentos e serviços gerenciados. A Embrapa estima que o setor agropecuário brasileiro pode dobrar sua eficiência até 2030 com a adoção de tecnologias digitais, especialmente no Nordeste, onde o potencial de crescimento é ainda maior.
O agronegócio nordestino não é apenas um mercado de curto prazo, mas uma jornada de transformação digital com uma demanda sustentada por pelo menos uma década à frente.
Fonte por: Its Show
Autor(a):
Redação
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