Satélites de baixa órbita: a necessidade de uma nova estratégia de soberania

Desafios da Soberania em Satélites de Órbita Baixa
Os satélites de órbita baixa (LEO) estão se tornando essenciais para a infraestrutura de conectividade, mas sua adoção traz novos desafios relacionados à soberania sobre dados e comunicações. Essa avaliação foi compartilhada por especialistas durante um painel sobre satélites multiórbitas, realizado no Fórum Telebras Conecta, em Brasília.
A Soberania e os Satélites Geoestacionários
Marcos Coseglio, diretor de vendas e projetos governamentais da SES, destacou que a soberania plena está mais associada aos satélites geoestacionários, que permitem controle total sobre o artefato, gateways e fluxo de informações. Para aplicações críticas, como as militares, o ideal é contar com ativos nacionais que garantam controle integral. No entanto, ele ressaltou que arquiteturas multiórbitas, que combinam GEO, MEO e LEO, são fundamentais para equilibrar soberania e desempenho, permitindo que diferentes aplicações utilizem níveis variados de controle.
Vantagens das Constelações LEO
Mauro Wajnberg, country manager da Telesat, enfatizou que a migração para órbitas mais baixas atende à demanda por menor latência e maior capacidade. Ao contrário dos satélites geoestacionários, que têm vida útil média de 15 anos e capacidade limitada, as constelações LEO operam com centenas ou milhares de satélites, oferecendo uma escala muito maior e redução de custos por megabyte.
Construção de Soberania em Camadas
Wajnberg também observou que a soberania não desaparece no modelo LEO, mas é construída em camadas. Ele mencionou a possibilidade de garantir soberania dentro de uma constelação LEO por meio de mecanismos como gateways dedicados no território nacional e cercas virtuais (geofencing). A criação de uma constelação nacional exclusiva pode ser financeiramente inviável, o que abre espaço para modelos híbridos, como subconstelações ou uso compartilhado com atributos de controle.
Perspectivas para o Futuro da Conectividade
Ryan Johnson, diretor regulatório de mercados globais da Viasat, ressaltou que a soberania deve ser abordada em diferentes níveis, dependendo da sensibilidade das aplicações. Ele observou que comunicações militares exigem controle mais rigoroso, enquanto outras podem operar em ambientes compartilhados, desde que haja governança adequada. Johnson também defendeu a abertura do mercado e o uso de espectro para múltiplos operadores, promovendo a competição e permitindo que países desenvolvam capacidades locais sem depender de poucos fornecedores globais.
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Sergio dos Santos Chaves, diretor comercial da Hispasat, destacou que a soberania está ligada ao controle do tráfego de dados, independentemente da órbita utilizada. Ele alertou para os riscos de ter gateways localizados fora do país, o que pode comprometer a visibilidade e o controle das comunicações, enfatizando que os dados devem circular dentro do território nacional, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.
Para as empresas de satélites, o futuro da conectividade envolve uma combinação de tecnologias orbitais. Enquanto os satélites geoestacionários permanecem relevantes para aplicações estratégicas, as constelações de órbita baixa ganham destaque em serviços de banda larga, mobilidade e inclusão digital. Nesse contexto, a soberania se torna um conceito mais complexo, dependendo da arquitetura, governança e investimentos, buscando um equilíbrio entre autonomia nacional e viabilidade econômica.
Fonte por: Convergencia Digital
Autor(a):
Redação
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