Dado proprietário e cultura organizacional: diferenciais que a IA não consegue replicar

A Revolução da Inteligência Artificial nas Empresas
A disseminação da inteligência artificial (IA) em diversos setores desafia a ideia de que a adoção de tecnologias avançadas é uma vantagem competitiva automática. Com modelos de linguagem acessíveis a todas as organizações, o que realmente diferencia as empresas é o uso exclusivo que fazem desses recursos. Essa foi a mensagem central de Lyzbeth Cronembold, CEO da Changers Digital, durante sua apresentação no IT Forum Na Mata CEO.
O Uso da IA nas Organizações
De acordo com dados da McKinsey, 88% das empresas já utilizam IA em pelo menos uma função. O Gartner prevê que, até 2028, 15% das decisões diárias nas empresas serão tomadas de forma autônoma, e 80% dos softwares corporativos integrarão processamento de texto, voz e imagem. Nesse contexto, Lyzbeth enfatiza que a questão crucial para os líderes não é apenas se utilizam IA, mas como a utilizam de maneira que seus concorrentes não conseguem replicar.
A Importância dos Dados Proprietários
Lyzbeth destacou que, enquanto os modelos de linguagem são treinados com dados públicos, os dados internos de uma organização, como seu histórico de relacionamento com clientes e processos, são ativos únicos. Esses dados são fundamentais para a diferenciação na era da IA. Ela introduziu o conceito de infonomics, que considera dados como ativos financeiros, sugerindo que as empresas devem tratá-los com a mesma seriedade que outros ativos tangíveis.
Organizações Cognitivas e Maturidade Digital
A executiva apresentou o conceito de organizações cognitivas, que integram a IA à estratégia e processos de forma transversal. Ela propôs uma escala de maturidade em cinco níveis, do experimental ao cognitivo, e observou que muitas empresas brasileiras ainda estão nos estágios iniciais, utilizando IA de forma desconectada da estratégia, o que ela chamou de “IA cosmética”.
Desenvolvimento de Capacidades Humanas
Um ponto crítico abordado foi o déficit cognitivo organizacional, onde a automação excessiva pode prejudicar o pensamento crítico das equipes. Lyzbeth alertou que 50% das empresas começarão a exigir habilidades que a IA não consegue replicar, o que implica que a adoção de IA deve ser acompanhada por uma estratégia de desenvolvimento humano.
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Ativos Inimitáveis e Governança
Cronembold identificou cinco categorias de ativos que a IA não consegue copiar: cultura organizacional, relações com parceiros, propósito de marca, talento humano e dados proprietários. Ela enfatizou que a cultura é um ativo duradouro e difícil de reproduzir. Além disso, a governança deve ser uma prioridade, com conselhos de administração estruturando suas agendas de IA em torno de estratégia, gestão de riscos e cultura.
Redefinição de Papéis Executivos
Lyzbeth propôs uma nova visão para os papéis dos executivos: o CEO deve ser um arquiteto cognitivo, o CIO deve construir arquiteturas que permitam o uso integrado da tecnologia, e o CFO deve considerar investimentos em requalificação como despesas estratégicas. Ela também alertou sobre erros comuns, como automação de processos mal estruturados e a subestimação do fator humano.
Conclusão
Ao encerrar sua apresentação, Lyzbeth destacou que a IA amplifica as capacidades das empresas, e o verdadeiro diferencial está em descobrir o que torna cada organização única. Essa reflexão é essencial para que as empresas se destaquem em um mercado cada vez mais competitivo e tecnológico.
Fonte por: It Forum
Autor(a):
Redação
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