Fertilizante inteligente utiliza nanotecnologia para minimizar perdas no agronegócio

Fertilizante Inteligente Revoluciona o Agronegócio
Cientistas da Embrapa, Unaerp, Unesp e USP desenvolveram um fertilizante de liberação controlada que utiliza nanotecnologia para aumentar a absorção de nitrogênio pelas plantas. Essa inovação combina nanoargila montmorilonita e poliuretano derivado de óleo de mamona, permitindo uma entrega sincronizada de nutrientes, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência.
Avanços na Liberação de Nitrogênio
Os testes realizados demonstraram que a ureia convencional libera mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas, enquanto a versão revestida com poliuretano reduz essa liberação para cerca de 70% em nove dias. Com a adição de 5% de nanoargila, apenas 22% do nitrogênio é liberado no mesmo período, mostrando a eficácia do novo fertilizante.
A nanoargila não apenas atua como uma barreira física, mas também interage quimicamente com o nitrogênio, permitindo uma liberação gradual do nutriente. Em experimentos em casa de vegetação, o fertilizante revestido apresentou desempenho superior ao da ureia convencional, com absorção de nitrogênio pelas plantas chegando a ser o dobro em comparação à fertilização tradicional.
Desafios da Dependência Externa
O Brasil é um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, importando mais de 85% do que utiliza. Essa dependência torna o agronegócio vulnerável a flutuações cambiais e crises geopolíticas. Tecnologias que aumentam a eficiência dos insumos são essenciais para garantir a competitividade e reduzir desperdícios.
O Plano Nacional de Fertilizantes visa diminuir essa dependência para 45% a 50% até 2050, combinando produção local e inovação. O fertilizante inteligente pode contribuir significativamente para essa meta, reduzindo perdas estimadas entre 30% e 40% em sistemas de adubação.
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Inovação e Agro Digital
A introdução do fertilizante inteligente representa uma mudança significativa no agro digital, integrando inteligência material ao insumo químico. Isso abre oportunidades para o uso de tecnologias como monitoramento de solo, sensores e plataformas de recomendação, que são fundamentais para a agricultura de precisão.
Com a crescente sofisticação dos insumos, a necessidade de dados confiáveis para orientar a aplicação e medir o desempenho se torna ainda mais crítica. Essa dinâmica aproxima diversos setores, incluindo laboratórios, indústrias químicas e startups do agronegócio.
Próximos Passos para a Transferência de Tecnologia
Os pesquisadores agora buscam parcerias para levar essa tecnologia ao mercado, visando produção em escala e integração com a indústria de fertilizantes. Para se destacar, o fertilizante inteligente precisará demonstrar viabilidade econômica e desempenho em diversas culturas e condições de solo.
Essa inovação tem o potencial de enfrentar um dos principais desafios do agronegócio: aumentar a produção com menor desperdício e menor vulnerabilidade externa. A próxima onda de produtividade no campo não virá apenas de tecnologias digitais, mas também de materiais inteligentes que se integram a processos e dados digitais.
Fonte por: Its Show
Autor(a):
Redação
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