ONU alerta que deepfakes estão silenciando mulheres na TI

Relatório da ONU Mulheres aponta que deepfakes e IA afetam a voz de mulheres públicas. Entenda o impacto na TI e cibersegurança.

30/04/2026 15:50

4 min

ONU alerta que deepfakes estão silenciando mulheres na TI
(Imagem de reprodução da internet).

Relatório da ONU Mulheres Revela Crise de Violência Digital Contra Mulheres

Um estudo divulgado em 30 de abril de 2026 pela ONU Mulheres, em colaboração com a Universidade City St George’s de Londres e o laboratório forense digital TheNerve, destaca como ataques coordenados utilizando deepfakes e inteligência artificial estão silenciando mulheres jornalistas, ativistas e defensoras de direitos humanos globalmente. A pesquisa, que ouviu 641 profissionais de 119 países, revela uma crise de violência de gênero digital com impactos diretos nas empresas de tecnologia e nas equipes de cibersegurança.

A inteligência artificial atingiu um ponto crítico, conforme documentado no relatório intitulado Tipping Point: Online violence impacts, manifestations and redress in the AI age. Os dados são alarmantes: mais de 70% das mulheres em posições públicas já enfrentaram algum tipo de violência online, e elas são 27 vezes mais propensas a serem alvo de conteúdos sexualizados. Além disso, a prevalência de deepfakes aumentou em 550% entre 2019 e 2023.

Dados do Relatório e Suas Implicações

A pesquisa revelou que 41% das mulheres entrevistadas se autocensuraram nas redes sociais para evitar novos ataques, enquanto 19% se afastaram de manifestações profissionais devido à violência sofrida. Essa autocensura é uma resposta direta a ataques calculados, refletindo um padrão de dano sistemático.

As consequências para a saúde mental são severas, com 24% das participantes relatando ansiedade e depressão relacionadas à violência online, e 13% recebendo diagnósticos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Além disso, 6% das mulheres foram alvo direto de deepfakes, sendo que a pornografia deepfake representava 98% de todos os vídeos desse tipo em 2023, com 99% retratando mulheres.

Impactos para o Setor de TI e Cibersegurança

O relatório serve como um alerta para executivos de tecnologia, apresentando um mapa de riscos regulatórios e operacionais que devem ser abordados imediatamente. As empresas de tecnologia enfrentam crescente pressão para implementar monitoramento proativo e remoção de conteúdo abusivo gerado por IA, com sanções financeiras em potencial em várias jurisdições.

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A demanda por forense digital está em ascensão, especialmente com a presença da TheNerve, que indica a necessidade de identificar deepfakes e preservar evidências para processos judiciais. Além disso, a detecção de mídia sintética, por meio de ferramentas como watermarking digital, se torna cada vez mais urgente, criando uma oportunidade para fornecedores de segurança.

Outro ponto crucial é a governança algorítmica. O relatório indica que algoritmos de redes sociais amplificam discursos de ódio misóginos, exigindo que as empresas revisem seus sistemas de recomendação e moderação de conteúdo.

Demandas por Profissionais de Segurança Digital

A legislação global ainda está aquém das necessidades tecnológicas atuais, com menos da metade dos países possuindo leis que abordam o abuso online. Essa lacuna gera consequências práticas, levando 25% das mulheres a reportar incidentes à polícia, mas apenas 15% a tomarem medidas legais. Muitas vezes, as vítimas são culpabilizadas, e as autoridades recomendam que se afastem das redes sociais, em vez de responsabilizar os agressores.

Essa falha sistêmica cria uma demanda por soluções privadas, como empresas de cibersegurança e consultorias de compliance jurídico-tecnológico, para preencher o vazio deixado pelo Estado. Além disso, 27% das mulheres relataram avanços sexuais não solicitados em ambientes corporativos, o que exige uma avaliação das responsabilidades legais associadas.

Ações Necessárias para Líderes de TI

O relatório da ONU Mulheres deve ser um catalisador para ações no setor de tecnologia. A questão não é mais se os deepfakes representam um risco, mas quando as organizações irão priorizar essa questão em suas agendas de segurança.

Três ações imediatas são recomendadas: primeiro, avaliar se as plataformas de comunicação da empresa possuem controles contra conteúdo manipulado; segundo, mapear a exposição regulatória da organização em relação às legislações emergentes sobre IA e abuso online; e terceiro, considerar investimentos em ferramentas de detecção de mídia sintética e capacitação das equipes de segurança.

A tecnologia que gera o problema também pode ser utilizada para mitigar seus efeitos, e o setor de TI tem a responsabilidade e a oportunidade de liderar essa resposta.

Fonte por: Its Show

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